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Cursinho gratuito prepara travestis e transexuais para o vestibular

Com o objetivo de promover um ambiente educacional com respeito à diversidade, um cursinho gratuito localizado na região central da capital paulista está dando aulas para o vestibular para transexuais e travestis. A ideia saiu do papel no segundo semestre do ano passado.

“O cursinho Transformação visa ser um projeto de participação coletiva e emancipadora para que os alunos se sintam seres atuantes daquele espaço”, conta Jefferson Lopes, estudante de história da arte na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e um dos coordenadores.

Segundo Lopes, as aulas têm os conteúdos abordados pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas as propostas são abertas — tudo com muito debate. “A gente não quer reproduzir um modelo de ensino que não funciona, no qual uma pessoa fica em cima de um tablado, com formato conteudista. Estamos aqui para uma construção coletiva”, diz.

“Teve uma aula sobre poesia e fizemos produção literária. A partir disso, tivemos a ideia de fazer um sarau, que já teve edições na praça Roosevelt e na Casa das Rosas”, diz.

O cursinho fica em espaço cedido pelo Centro de Referência e Defesa da Diversidade, que oferece ajuda de alimentação e transporte para quem vai às aulas. Os interessados podem se inscrever por meio deste link.

Importância do esporte

Matheus Gabriel Souza, de 19 anos, começou as aulas no cursinho na última semana. “Me senti em casa. Foi a primeira oportunidade de participar de uma aula com pessoas que vivem o mesmo que eu vivo. Não me senti constrangido em falar meu nome social e isso vem ajudando na minha autoestima.” 

Ele conta que sofria discriminação no ensino médio e que os insultos partiam, inclusive, de professores. “Pensava que seria mais por parte dos alunos, mas sofri com parte dos professores. Eles falavam que eu precisava mostrar documentos para provar que era trans.”

Quando estava no ensino fundamental, Matheus chegou a levar pedradas de colegas de escola. O preconceito fez com que acabasse ficando menos extrovertido. O esporte acabou sendo sua válvula de escape.

“Não tive o apoio da minha família. Me via desamparado. Aquele turbilhão de sensações dentro de você. Se não pensa, acaba fazendo besteira. Foi quando comecei a lutar boxe. Ele representa a superação de tudo”, diz o estudante que dá aulas do esporte aos finais de semana na mesma escola pública onde estudou.

Aprovada

Amanda Marques, de 23 anos, foi estudante do Transformação no ano passado e acabou conseguindo uma vaga em gestão de turismo no IFSP (Instituto Federal de São Paulo) por meio do Enem.

“Quando decidi tentar o ensino superior, sabia que precisava de um cursinho, mas tinha receio de como seria receptividade dos alunos em um curso convencional. Então descobri o Transformação, onde tive oportunidade de me sentir segura e à vontade, com professores preparados para lidar com as diferenças”, relata.

“Minha vivência é privilegiada em comparação com a da maioria das pessoas trans e travestis, uma vez que tenho o apoio da minha família, um emprego formal, acesso à educação e já retifiquei minha documentação.”

Fonte: Bol.com.br

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