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Documentário dos 50 anos de Chico Science na Globo explica sucesso do mangueboy

Chico Science, Mundo Livre S/A e os integrantes da banda de samba-reggae Lamento Negro. Foto: Gil Vicente/DP
Chico Science, Mundo Livre S/A e os integrantes da banda de samba-reggae Lamento Negro. Foto: Gil Vicente/DP

As comemorações dos 50 anos do nascimento de Chico Science, celebrados amanhã, serão incompatíveis, em quantidade, à revelância artística do ícone do movimento manguebeat. A curta lista inclui um projeto realizado pela filha dele, Lula Lira, com detalhes ainda não divulgados, exposições – uma delas no Abril Pro Rock – e alguns shows comemorativos, com destaque para a apresentação da Nação Zumbi no carnaval, com participação (pela primeira vez) de Lula.

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O documentário Chico Science: Um caranguejo elétrico, de José Eduardo Miglioli, será exibido na TV Globo, à 1h20 de hoje para amanhã, apenas para estados nordestinos. As melhores passagens se concentram nas primeiras passagens do documentário de 86 minutos, com depoimentos de familiares, amigos e parceiros musicais. A originalidade e persistência do moleque de Rio Doce responsável por encabeçar a simbiose entre world music e raízes nordestinas são destrinchadas em falas de amigos da adolescência, como DJ Dolores, Renato L e H.d. Mabuse. O resgate de imagens de arquivo – de ensaios amadores ao histórico show no festival SummerStage, no Central Park (EUA) – está entre as pérolas da produção.

Confira o roteiro de shows no Divirta-se

“Ele era cativante, envolvente. Tinha uma energia absurda e uma capacidade de síntese fantástica. Pegava as coisas, processava tudo rapidinho. As coisas já estavam muito resolvidas”, acredita Miglioli, que conheceu Chico. “Optei por me pautar pela viagem musical dele. O filme não traz peculiaridades da vida, relações afetivas, está estruturado em cima da construção cognitiva dele, da produção e do legado”, explica.

Líder da Nação Zumbi cantou com Gilberto Gil no festival SummerStage, nos Estados Unidos. Crédito: Acervo RTV/Divulgação
Líder da Nação Zumbi cantou com Gilberto Gil no festival SummerStage, nos Estados Unidos. Crédito: Acervo RTV/Divulgação

A mescla entre referências históricas e artísticas distintas – como Zumbi dos Palmares, Josué de Castro e a banda de hip hop Public Enemy – e a ligação com o mangue, iniciada ainda na infância, quando catar caranguejo era uma diversão, são relembradas pelos companheiros de festas e palcos, também impressionados pela alquimia promovida por Chico Science.

Lúcio Maia, Alexandre Dengue, Gilmar Bolla8, Jorge Du Peixe e Pupillo narram como conheceram e foram convidados para a Nação Zumbi e recordam as dificuldades enfrentadas na primeira viagem a São Paulo, com a Mundo Livre S/A, em 1993, logo após o show na edição de estreia do Abril Pro Rock. Quando desembarcaram no ônibus de linha na capital paulista, o dinheiro já havia acabado, mas trouxeram na bagagem o contrato assinado com a Som Livre para a gravaçao de Da lama ao caos. Marcelo Yuka, Paralamas do Sucesso, Liminha, Gilberto Gil, Jorge Mautner e Arto Lindsay também contribuem.

Aos poucos, criador é substituído pela critura, e a Nação Zumbi rouba a cena, especialmente após narrado o processo e os bastidores da gravação do segundo disco, Afrociberdelia, contado pelos integrantes da banda, o produtor Eduardo BiD e o diretor artístico da Sony, Jorge Davidson, responsável pela introdução da versão de Maracatu atômico, de Jorge Mautner, já conhecida na voz de Gilberto Gil, e dos três remixes cujo resultado fez Chico chorar de tristeza, literalmente.

O impacto da morte dele – reflexo da importância do artista -, a repercussão do acidente e a grandeza da despedida, acompanhada por uma legião de fãs, são suprimidos. A última parte, Legado (antecedida por Mangue e Caos), ressalta a relevância da Nação Zumbi no cenário nacional, mas não dá a dimensão da lacuna deixada pelo mais famoso moleque criado na lama dos mangues pernambucanos.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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