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Dona Lindu chega aos cinco anos com sucesso

George Cabral costumal brincar com o filho no Parque Dona Lindu. Foto: Paulo Paiva/DP
George Cabral costumal brincar com o filho no Parque Dona Lindu. Foto: Paulo Paiva/DP

O Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, chega aos cinco anos com uso intenso pela população, mesmo tendo sido objeto de críticas e pressões populares. Alheio às polêmicas, relativas sobretudo às áreas de concreto, o espaço inaugurado em 26 de março de 2011 foi pouco a pouco sendo apropriado por moradores do bairro e do entorno, atendendo uma população carente de áreas culturais e de lazer.

O título de parque ainda é questionado, mas é consenso que o Dona Lindu é um equipamento imprescindível à rotina da população. Há o reconhecimento, do poder público, de que algumas arestas precisam ser fechadas, como a ampliação das áreas verdes (que hoje representam 60%) e um maior diálogo com as demandas e necessidades do público.

“A maior qualidade é ser uma pausa na massa verticalizada de concreto. Também funciona como ventilação para outras vias. Mas do ponto de vista de parque, não é. Apesar de não ser uma torre, é uma estrutura que trouxe mais concreto”, avalia a urbanista especialista em desenvolvimento urbano e ex-presidente do Instituto Pelópidas Silveira, Evelyne Labanca. Ela lembrou que o pleito inicial da população pelo terreno era de um parque de grande área verde.

Por semana, cinco mil pessoas frequentam o equipamento, segundo a prefeitura. “Vou ao parque pelo menos três vezes por semana. Há cinco anos, quando abriram, eu já sabia que seria um lugar importante para a cidade porque esta área é carente de espaços públicos, diz o consultor de vendas George Cabral, 36. Ela mora em Piedade (Jaboatão) e vai a Boa Viagem para brincar com o filho no espaço. “O espaço é muito bom, com áreas excelentes para brincar com crianças. Minha filha ama andar de bicicleta aqui. Os pontos negativos são iluminação e segurança”, acrescenta o militar Leovigildo Mendonça, 36.

A professora doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, Ana Rita Sá Carneiro, credita a apropriação pelas pessoas à carência de espaços públicos abertos, dentro e fora da cidade. “Ser obra de Oscar Niemeyer é atrativo. Mas não é um bom projeto de parque recreativo porque não tem cobertura vegetal ideal como o da Jaqueira e o de Santana”, justificou Ana Rita.

O parque tem 33 mil m2. O urbanista Noé do Rego Barros ressalta que o projeto não foi pensado para a dimensão do terreno. “Niemeyer era um construtor e não paisagista. O concreto joga calor e não foi pensado para quem vê o parque de cima dos edifícios”, completa. A ideia mais completa do Dona Lindu só pode ser vista por quem está no mar. “Mas é importante que tenha acontecido. Um teatro é bem-vindo em qualquer área da cidade”, justifica Noé.

Na visão do engenheiro civil Amir Schvartz, que foi presidente da URB quando da escolha do projeto de Niemeyer, o equipamento tem, sobretudo, relevância turística. “E também atende aos diversos estratos da sociedade em um local único de convivência”, ponderou. A escolha de Niemeyer como idealizador do projeto foi do então prefeito João Paulo.

Retorno
Para o gerente de Produtos Turísticos da Secretaria de Turismo e Lazer do Recife, Bráulio Moura, a localização do Dona Lindu é um grande atrativo e propulsiona o turismo. “O parque é muito importante para a cidade. Fica perto dos hotéis, onde estão os turistas. Por estar em uma área de excelência turística, temos também um ponto de informações. Os retornos são muito positivos após os atendimentos no posto”, reforça Bráulio. Em 2015, o Centro de Atendimento ao Turista no Dona Lindu realizou 11.565 atendimentos.

O terreno onde hoje existe o Parque Dona Lindu pertence à União, sob administração da Aeronáutica Brasileira, que em 2006 concedeu ao município do Recife a cessão de uso gratuito por 20 anos. Essa concessão pode ser prorrogada por iguais e sucessivos períodos.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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