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Editorial: Voltaire e suas lições

Acima de tudo, ao expor opiniões, apoiando-as ou combatendo-as, evita as palavras injuriosas que irritam um autor e muitas vezes toda uma nação, sem esclarecer ninguém. Exclui animosidade e ironia. Que dirias de um procurador que, resumindo um processo inteiro, ultrajasse com palavras mordazes a parte que condena? O dever do jornalista é praticamente o mesmo.

O francês François-Marie Arouet (1694-1778), mais conhecido como Voltaire, sabia bem o poder das palavras. O primeiro parágrafo é dele, em texto publicado em 1737 na Holanda, mas que serve bem para o Brasil da Lava-Jato, de imprensa investigativa e de tribunais políticos montados na internet.

Conselhos a um jornalista – Sobre filosofia, história, teatro, poemas, miscelâneas de literatura, anedotas literárias, língua e estilo é um livro pequeno, de apenas 39 páginas, que teve versão nacional em 2006 pela editora Martins Fontes. Ganha importância porque vivemos tempos como os dele, onde ânimos exaltados acabam depois em cabeças cortadas.

“É mais fácil para certos espíritos acompanhar suas próprias ideias que considerar as dos outros”. Voltaire resume bem o que acontece hoje nas redes sociais, palco de batalha de correntes políticas distintas. “Quisera Deus fosse tão fácil remediar o vício que produz todos os dias tantos escritos mercenários, tantas citações infiéis, tantas mentiras, tantas calúnias”. Para quem escreve, incluindo jornalistas, a receita vem em duas palavras: “sê imparcial”. “Tens ciência e gosto; se além disso fores justo, predigo-te um sucesso duradouro”. Amém.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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