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Entenda as consequências da retomada da cidade histórica de Palmira do EI

Forças do governo da Síria retomaram a cidade histórica de Palmira do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, segundo informações da imprensa estatal e de um grupo de monitoramento do conflito.

Um representante do Exército afirmou à TV estatal síria que a recaptura da cidade marca o começo do colapso do Estado Islâmico.

O Exército sírio vinha ganhando terreno há dias, apoiado pela artilharia aérea russa. Fontes militares afirmam agora que o Exército tem “controle total” da cidade.

O Estado Islâmico havia tomado o controle de Palmira, cidade declarada Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco (braço da ONU para educação, ciência e cultura), em maio de 2015.

Localizada em meio ao deserto e próxima a um oásis, Palmira abriga ruínas de uma cidade que foi um dos centros culturais mais importantes do mundo.

Conhecida na região por “Tadmur”, fica em uma área estratégica na estrada entre a capital da Síria, Damasco, e a cidade de Deir al-Zour.

A cidade reúne arte e arquitetura dos séculos 1 e 2, que combinam técnicas greco-romanas com tradições locais e influências persas. Antes da guerra na Síria, mais de 150 mil pessoas visitavam a cidade por ano.

Imagens divulgadas no sábado pelas Forças Armadas da Síria mostram helicópteros e tanques atacando posições na cidade. A data do registro não pôde ser verificada de forma independente.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, um grupo de monitoramento da guerra síria com base na Inglaterra, afirmou que ainda havia tiroteios no leste da cidade, mas que a maior parte das forças do EI havia recuado.

Dividendos para Assad

Para Lina Sinjab, correspondente da BBC no Líbano, a retomada marca uma vitória para o presidente Bashar al-Assad, que deseja mostrar ao mundo que é um aliado na luta contra o terrorismo.

“Apoiadas por aviões de combate russos e milícias xiitas, as forças do governo recuperaram a cidade histórica e agora estão perto de controlar uma área ampla do país”, afirma Sinjab.

A correspondente afirma, contudo, que moradores e observadores questionaram a decisão de Assad de retirar suas tropas de Palmira em 2015, abrindo caminho para os militantes do EI.

Em maio de 2015, centenas de combatentes do EI cruzaram centenas de quilômetros pelo deserto, sem serem interrompidos, até chegar a Palmira, enquanto o governo se concentrava em bombardear áreas tomadas pela oposição e cheias de civis.

Para Sinjab, Assad agora garantiu uma posição mais forte nas negociações de paz. “Ele será certamente visto como um solucionador de problemas, mas muitos dizem que ele é a fonte dos problemas”, diz.

Destruição

O EI destruiu sítios arqueológicos após tomar o controle de Palmira, o que motivou forte reação pelo mundo. Dois templos de 2 mil anos, uma arca e torres funerárias foram deixados em ruínas.

A Unesco classificou os atos como crime de guerra.

O grupo extremista islâmico já havia se engajado na destruição sistemática de acervos de museus e bens de inestimável valor histórico e cultural no Iraque.

O EI diz ver a herança cultural antiga como um desafio para a lealdade do povo iraquiano ou sírio ao próprio grupo.

Destruir esse patrimônio seria, portanto, uma forma de rejeitar a “pauta nacionalista” que as estátuas, templos e até cidades históricas representam, afirma David Roberts, do Departamento de Estudos de Defesa do King’s College, de Londres.

Segundo Roberts, os militantes do EI se veem motivados a atacar o politeísmo onde quer que esteja, e rejeitam a adoração de “ídolos” e dos locais erguidos para tal.

O chefe do órgão de patrimônio da Síria, Mamoun Abdelkarim, prometeu reparar os danos o tanto quanto seja possível, de forma a enviar uma “mensagem contra o terrorismo”.

Fonte: Bol.com.br

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