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Estudo busca substâncias para bloquear o zika

Pesquisadores pernambucanos começarão a estudar as proteínas contidas nas amostras de sangue de bebês com microcefalia associada ao zika vírus para tentar identificar a presença de substâncias com capacidade de predispor ou barrar a infecção.

O estudo proteômico deve começar ainda neste mês, a partir de amostras coletadas na Paraíba, e será feito no Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A expectativa é de que a médio e longo prazos os resultados possam auxiliar na criação de soluções terapêuticas para as infecções por zika vírus e o desenvolvimento de microcefalia.

A malformação congênita em surto no Brasil desde agosto do ano passado é um dos temas abordados no 2º Simpósio Internacional sobre Doenças Raras, cujo último dia acontece hoje, no auditório do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CpqAM/Fiocruz). Além de reunir pesquisadores pernambucanos, o evento inclui a participação de especialistas da Paraíba, de São Paulo e também membros da University College of London, da Inglaterra, da Singularity University, de Israel, e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.
Alguns estudiosos da UCL (Reino Unido) e de Israel, participarão da condução da pesquisa proteômica. Até então, o Lika tem cerca de 300 amostras de sangue coletadas, que estão na fase de separação. Os dados serão comparados aos de uma parcela da população não acometida pela malformação e sem histórico de infecção por zika e outras arboviroses.

“Vamos verificar o tipo de proteínas circulantes nas pessoas doentes e analisar se são diferentes das outras pessoas. A nossa expectativa é de que, no futuro, consigamos por exemplo mostrar por que, dentre todos os membros de uma família, apenas um não foi acometido. Com isso teremos uma visão do que poderemos fazer em termos de medicamentos e vacinas”, explicou o diretor do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), José Luiz de Lima Filho.
Há cerca de uma semana, também foram iniciados os testes laboratoriais que pretendem criar, no Lika, um teste para identificação do zika em minutos. A tecnologia usada será a de biossensores, que funcionarão como um teste simples de glicose. “A partir da cooperação com o MIT, que já trabalha na produção dos anticorpos, nossa expectativa é produzi-los aqui também”, acrescentou Lima Filho.

Dentro da programação do simpósio, hoje, às 9h, a médica Sandra Mattos, do Círculo do Coração, fala sobre os casos de microcefalia no Nordeste do Brasil entre 2012 e 2015. A especialista faz parte de um grupo de pesquisadores que fez um levantamento retroativo e sugeriu que o crescimrnto nos casos de microcefalia no Brasil ocorreu antes do ano passado. À tarde, às 14h40, a médica Helena Rocha Corrêa Araújo, da USP, fala sobre os mosquitores vetores.
Também hoje uma comitiva de 12 pesquisadores japoneses chega a Pernambuco para firmar convênios de colaboração com cientistas pernambucanos. O grupo ficará no estado até o dia 12 e deve cumprir agenda junto ao governo e à universidade.

O segundo simpósio tem como objetivo principal estimular a pesquisa na área de doenças raras e expandir, sobretudo, diagnósticos e tratamentos. Essas são as duas maiores queixas de quem milita pela causa dos “raros” no Brasil. Há poucos profissionais habilitados a identificar as doenças e poucos estudos sobre tratamentos eficazes. No Brasil, das 8 mil síndromes raras, cerca de 200 têm medicamentos.

“É importante fazer o link entre as associações e a comunidade científicas, assim deixamos de ser estatística. O diagnóstico precoce é hoje o gargalo de tudo. Há ainda um déficit de geneticistas e uma portaria do Ministério da Saúde, ainda não pactuada por Pernambuco, para a criação de centros de referência”, lembrou a coordenadora regionaldo Instituto Baresi, Sayaka Fukushima.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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