EUA querem "dividir" América Latina, segundo embaixador venezuelano na ONU

Mario Villar.

Nações Unidas, 17 mar (EFE).- O embaixador da Venezuela na ONU, Rafael Ramírez, considera que os Estados Unidos estão tentando “confundir e dividir” a América Latina com suas políticas para uma região à qual se mantém “de costas”.

“Com uma mão, alivia as sanções a Cuba, e com outra pretende nos dobrar. Não vão fazer isso”, afirmou Ramírez em entrevista à Agência Efe na qual criticou com dureza a renovação, por parte do presidente americano, Barack Obama, do decreto de sanções contra seu país.

Para o representante venezuelano nas Nações Unidas, essa política “encoraja” os “setores violentos” da “oposição”, que “acreditam que têm sinal verde do governo americano para qualquer aventura à margem da Constituição”.

“Além disso, é o sinal político à região de que os Estados Unidos continuam achando que são a polícia do mundo”, acrescentou Ramírez, que lamentou que os EUA, “em vez de colaborar, continuam impondo uma visão atrasada, imperial e intervencionista que não corresponde com o que aconteceu na América Latina”.

Enquanto aplaude a “coragem” de Obama para mudar a política rumo a Cuba, Ramírez considera “contraditório” que ao mesmo tempo mantenha a atitude para com o governo de Nicolás Maduro.

“Penso que mostra o que é o objetivo dos Estados Unidos de confundir e dividir a América Latina”, alegou.

Com as relações entre os dois países “em seu nível mais baixo”, o embaixador disse que seu país continuará “denunciando” essa “terrível campanha internacional” que, segundo ele, os EUA mantêm contra a Venezuela.

“Há muita desinformação, há muita manipulação e há grandes interesses por trás de tudo isso”, disse o diplomata, que antes de chegar à ONU ocupou brevemente a pasta de Relações Exteriores e anteriormente, durante 12 anos, a de Energia.

Ramírez lamentou também os “problemas políticos” entre Espanha e seu país e criticou a “insistência em utilizar a Venezuela para os assuntos internos” espanhóis.

“Para os temas eleitorais na Espanha, há uns que acreditam que, agredindo nosso país, ganham votos. Aredito que é o contrário, que o eleitorado espanhol, com tantos problemas que tem em seu país, deve estar cansado que os políticos continuem a falar contra a Venezuela”, afirmou.

Ramírez, que atualmente ocupa uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, junto com EUA e Espanha, destacou que nesse órgão os problemas bilaterais não influenciam nas discussões e lembrou que, apesar de “muitas vezes” haver diferenças, foram alcançados acordos em vários assuntos, como a resolução de respaldo a fim das hostilidades na Síria.

A Venezuela, no entanto, se mostra crítica com a forma com a qual o principal órgão de decisão das Nações Unidas atua.

“Acreditamos que o Conselho de Segurança não pode ter dois pesos e duas medidas. Não pode ser mau o governo de Bashar al Assad e bom o governo do Iêmen, não podem ser maus os bombardeios contra a Síria e bons os bombardeios contra o Iêmen. Não pode haver incoerências, porque então as mensagens transmitidas (…) perdem seu prestígio”, opinou.

Fonte: Bol.com.br

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