Fóssil de nova espécie de réptil é descoberto no Brasil

Madri, 11 mar (EFE).- “Teyujagua paradoxa” é o nome de uma espécie de réptil que viveu há 250 milhões de anos no sul do Brasil e que foi identificada graças ao fóssil de um crânio, quase completo e bem conservado, encontrado no Rio Grande do Sul.

O fóssil foi descoberto no início de 2015 por uma equipe de paleontólogos da Universidade Federal do Pampa em uma rocha do Triásico (um dos três períodos geológicos da Era Mesozoica) encontrada perto de São Francisco de Assis, publicou nesta sexta-feira a revista “Scientific Reports”, do grupo Nature.

Esta descoberta, que foi analisada em parceria por pesquisadores da Universidade Federal do Pampa e da de Birmingham, no Reino Unido, “ajuda a esclarecer a evolução inicial do grupo que deu lugar aos dinossauros, pterossauros, crocodilos e pássaros”, explicou um comunicado.

Teyujagua é uma palavra em guarani que significa “lagarto feroz” e faz referência a um animal mitológico chamado Teyú Yagúa, que é tradicionalmente representado como um lagarto com cabeça de cachorro.

O Teyujagua era um quadrúpede de aproximadamente 1,5 metro de comprimento, com dentes curvados muito afiados e em forma de serra, o que indica que sua dieta era carnívora.

As fossas nasais estavam na parte superior da cabeça, uma característica típica de alguns animais aquáticos ou semiaquáticos, como os crocodilos de hoje. Seu habitat natural eram as margens de rios e lagos, onde caçava anfíbios e pequenos répteis.

Se trata de um fóssil muito diferente de outros da mesma era, pois sua anatomia está no meio do caminho entre os répteis mais primitivos e o grupo denominado archosauriformes, que inclui todos os dinossauros e pterossauros extintos, e crocodilos e pássaros atuais.

A descoberta deste fóssil é importante porque o Teyujagua viveu depois da extinção em massa do Pérmico Triásico, ocorrida há 252 milhões de anos, que acabou com 90% das espécies e que provavelmente foi desencadeada por erupções vulcânicas de grande intensidade ocorridas na região oriental da atual Rússia.

O Teyujagua permitiu obter novos conhecimentos sobre como se recuperaram e desenvolveram os ecossistemas terrestres depois dessa extinção em massa.

Naquela época, os archosauriformes e seus parentes próximos, como os Teyujaguas, foram os animais dominantes dos ecossistemas terrestres, que depois deram lugar aos dinossauros.

O médico Felipe Pinheiro, da Universidade Federal do Pampa, disse que a descoberta dessa nova espécie foi “realmente emocionante. Desde que vimos esse belo crânio pela primeira vez no terreno, ainda quase totalmente coberto de pedra, soubemos que tínhamos algo extraordinário nas mãos”.

No laboratório, o fóssil superou as expectativas dos especialistas. “Apresentava uma combinação de características nunca vistas antes, o que indicava a posição única do Teyujagua na árvore evolutiva de um grande grupo de vertebrados”.

Fonte: Bol.com.br

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