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"Homeland" sem Carrie? Criador da série responde se é possível

Se você perguntar a Howard Gordon, cocriador de “Homeland”, o que faz da série um sucesso, ele responderá: Carrie Mathison, a instável e determinada ex-agente da CIA vivida por Claire Danes. Seria possível, então uma temporada da atração sem ela, nos mesmos moldes de “24: Legacy”, produzida por Gordon, que deixa para trás um dos personagens mais marcantes da TV nos anos 2000, o Jack Bauer de Kiefer Sutherland?

“Essa é uma ótima pergunta, e ainda não sei a resposta”, brincou ele, em entrevista ao UOL durante passagem no Brasil para o evento RioContentMarket. “Outro dia estava falando sobre isso, e é algo sobre o qual não queremos pensar. Não quisemos pensar em ’24 Horas’ sem Jack por 15 anos! Mas talvez esse dia chegue. Depende muito da condução da história. ‘Star Trek’ sobreviveu sem Kirk e Spock e se tornou uma longa franquia”, argumentou ele, que adaptou a israelense “Hatufim”, de Gideon Raff, para a televisão americana junto com Alex Gansa.

Divulgação

Howard Gordon no evento RioContentMarket

Segundo o produtor e roteirista, que tem ainda no currículo séries como “Arquivo-X” e “Tyrant”, Carrie se junta a uma galeria de personagens à margem e desacreditados que conquistam o público.

“Mulder (David Duchovny) trabalhava no porão do FBI, ninguém queria falar com Jack porque ele se volta contra alguns de seus colegas. Se você tiver compaixão pelo personagem, simpatizar com ele, vai torcer por ele. Tudo começa com o personagem, quem é a pessoa no centro de tudo. O segredo para mm é entender o contrato que você tem com o público: qual é a sensação que você quer deixar no espectador? Quer que ele ria, que eles sintam medo, que percam o fôlego?”, analisou.

Embora hoje seja praticamente sinônimo da série, Claire não teve aprovação unânime à primeira vista, contou Gordon no painel intitulado “Hitmaker”, mediado pelo crítico do UOL Maurício Stycer. “Alguém muito famoso disse que não a queria. Eu ainda guardo o e-mail”, disse ele, provocando risos da plateia. “Criar uma série é um desafio, que precisa de uma certa alquimia e sorte. Milhares de coisas podem dar errado. Se você escalar o elenco errado… Em determinado momento, Jack Bauer seria interpretado por Jeff Goldblum. As coisas podem sair bem diferentes. Todo mundo tem uma opinião sobre o piloto, por exemplo. O sucesso tem muitos pais, mas o fracasso, só um”, contou.  

Atualmente o produtor se dedica à sexta temporada de “Homeland”, que vai se passar em Nova York, ao terceiro ano de “Tyrant” e a “Second Chance”, ainda inédita na televisão brasileira, que não tem conquistado resultados impressionantes nos Estados Unidos. “A série merecia mesmo uma segunda chance”, afirmou. Segundo ele, a audiência americana vem caindo sistematicamente – e o recente sucesso de “Empire”, por exemplo, pode ser considerado uma exceção. 

Ainda assim, ele não vê os serviços de streaming como uma ameaça à televisão tradicional, mas reconhece que o novo modo de produzir pode ser interessante para os criadores. Como consumidor, no entanto, ele não é fã das maratonas. “Sinto falta do jeito antigo de ver TV, de esperar pelo próximo episódio na outra semana. Era uma experiência agradável, que permitia conversas coletivas. Maratona é uma coisa compulsiva, vejo gente perdendo os fins de semana para se atualizar com uma série”, opinou.

Gordon ainda aposta suas fichas em “24: Legacy”, que terá Corey Hawkins como o protagonista Eric Carter. “O conceito de tempo real é muito poderoso para mover à história. Viemos com essa ideia de criar um herói diferente. E essa foi a oportunidade de discutirmos uma questão importante. O que significa ser um patriota? E o que significa ser um americano negro?”, afirmou.

A décima temporada da série – que já teve um revival com um filme em 2008 e a minissérie “Viva um Novo Dia” em 2014 – não dá sinais de que a franquia será abandonada tão cedo. “Queremos terminar bem. Você se apaixona pelos personagens e sente que precisa honrar a história. E você acha que sabe a hora de parar, quando não tem mais o que contar. erminar bem é difícil. Aliás, só o fato de terminar já pode deixar as pessoas infelizes”, disse.

Fonte: Bol.com.br

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