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Idosos são o grupo de maior risco nas arboviroses

Após um mês da doença, Augusta Albuquerque, 77 anos, ainda sente dores. Foto: Paulo Paiva/DP
Após um mês da doença, Augusta Albuquerque, 77 anos, ainda sente dores. Foto: Paulo Paiva/DP

Os casos de dengue, zika e chikungunya se multiplicam e, em Pernambuco, já somam 54 mil notificações entre janeiro e março deste ano. Muitas  são as dúvidas desse cenário, motivo de estudos científicos em todo o mundo, mas algumas certezas já podem ser percebidas pelas estatísticas. Idosos são o grupo com maior risco de adoecimento. Das 96 mortes em investigação por arboviroses em 2016, 43 delas ocorreram na faixa etária de 60 ou mais anos – inserida no grupo de risco para agravamento das infecções virais.

Das 96 mortes investigadas pela Secretaria Estadual de Saúde, apenas uma está confirmada. Justamente de uma idosa de 88 anos, por chikungunya, no dia 21 de fevereiro. O caso aconteceu no Recife e reforça a necessidade de cuidados para essa faixa etária. O outro grupo com mais mortes suspeitas em dados absolutos é o da faixa etária que antecede a terceira idade, dos 40 aos 59 anos. São 29 casos. Somente a faixa entre 5 e 9 anos não tem registros.

“A literatura ainda é muito pobre com relação à fisiopatologia, como é que os três vírus atuam de forma a determinar a gravidade em diferentes faixas etárias. O que a gente sabe é que o idoso tem uma reserva de saúde baixa, então sobretudo naqueles com outras doenças a infecção pode gerar descompensação, o que interfere nos óbitos”, explicou o diretor técnico do Instituto de Geriatria de Pernambuco e perceptor da residência médica de geriatria do Real Hospital Português, Sérgio Durão.

Se considerada apenas a dengue, cujos dados são mais consolidados que os das outras duas arboviroses, a incidência de casos para idosos é de 61,6 a cada 100 mil habitantes. Para se ter um comparativo, o segundo lugar no ranking de incidência de dengue no estado é a população de 20 a 39 anos, cuja taxa é de 57,6 casos por 100 mil habitantes. O cálculo leva em consideração a população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pernambuco tem uma população de um milhão de idosos, enquanto a de jovens entre 20 e 39 anos é de 3,1 milhões.

A proporção de idosos doentes pode ser ainda maior. Isso porque nem sempre os idosos procuram as unidades de saúde. Dificuldade de locomoção e acesso, além da resistência de uma parte deles a buscar atendimento médico, são as causas apontadas pela secretaria para atrapalhar as notificações. “Dos 20 aos 39 anos estão as pessoas com idade mais produtiva. Elas procuram mais as unidades de saúde porque geralmente precisam de atestado médico, então é mais fácil notificar. Mas quando a gente avalia o número de casos por incidência, percebemos que a faixa etária extrema tem mais risco proporcional”, explicou a coordenadora de controle da dengue, chikungunya e zika da SES, Claudenice Pontes.

Em relação à chikungunya, a maior parcela de casos confirmados, em número absoluto (70), está na população entre 20 e 39 anos. Mas, segundo Claudenice Pontes, a coleta de dados ainda está no início e muitas fichas de notificação ainda não trazem o campo da faixa etária preenchido. No caso do zika, ainda não é possível avaliar o risco de adoecimento por faixa etária da população, pois ainda não há números de casos confirmados laboratorialmente da doença.

Diferentemente de crianças e adultos, para os idosos febre acima de 37,8°C significa a necessidade imediata de procurar ajuda médica. “Fui à emergência no mês passado, deram uma injeção e me mandaram para casa. Passei 16 dias sem conseguir comer. Um mês depois, voltei a me alimentar, mas as dores nas mãos e braços continuam”, contou a aposentada Augusta Albuquerque, 77 anos.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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