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Irmão de morto em operação policial em Maceió contesta troca de tiros

Polícia afirma que Adriano dos Santos Oliveira, o ‘Caetano’, reagiu à prisão. Família nega resistência, e diz que ele foi executado em casa pelos policiais.

 

O irmão de Adriano dos Santos Oliveira, conhecido como “Caetano”, que foi morto durante uma operação policial para ocupar o bairro da Levada, em Maceió, nesta quarta-feira (2), procurou a reportagem do G1 para contestar a versão da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP) de que houve resistência à prisão e troca de tiros.

Segundo José Anderson da Silva, 33, Caetano estava na casa do pai deles, quando os policiais invadiram a residência por volta das 3h e atiraram no suspeito, sem chance de defesa.

A assessoria de comunicação da SSP disse que não vai comentar o caso. Quando a informação da morte dele foi passada à imprensa, Caetano foi classificado como “um dos criminosos mais articulados do estado”, com passagens por presídios de segurança máxima fora do estado, acusado de assaltos e tráfico de drogas.

De acordo com o irmão do suspeito, após ser baleado, Caetano foi arrastado ferido pelos policiais para uma favela localizada na Levada e só depois levado para receber socorro médico no Hospital Geral do Estado (HGE), no Trapiche.

“Ele estava em casa, dormindo, quando foi acordado por policiais. Neste momento, a madrasta do meu irmão e mais dois irmãos dele foram trancados no banheiro, enquanto ele foi levado para a sala e assassinado com três tiros no peito”, afirma Silva.

Silva relata ainda que os documentos do irmão também foram roubados durante o percurso e que o levaram para o hospital sem identificação.

“Meu irmão já teve passagem pela polícia e envolvimento com o tráfico de drogas. Atualmente ele estava trabalhando como coordenador de disciplina da escola Hélio Lemos e não tinha mais envolvimento com o tráfico. Ele, inclusive, além de trabalhar fichado, era presidente da associação de moradores do bairro”, conta Silva.

De acordo com a assessoria do HGE, um homem baleado deu entrada na unidade por volta das 3h50, mas morreu assim que chegou ao hospital, antes mesmo de ser atendido.

A companheira de Caetano, identificada como Polyana Silvestre da Silva, 27, também acredita que ele foi assassinado pelos policiais.

Tanto Polyana como Silva foram à SSP para procurar os documentos de identificação de Caetano. No momento em que eles chegaram ao local, os representantes da Segurança Pública estavam apresentando à imprensa suspeitos que foram presos na mesma operação.

“Fomos à delegacia em Mangabeiras para onde os presos foram levados [Complexo de Delegacias Especializadas], mas ninguém sabia dos documentos. Viemos até aqui [SSP] para saber dos documentos, para tentar enterrar meu irmão”, diz Silva.

Os suspeitos presos foram identificados como José Edilson Araújo da Silva, de 38 anos; Cleverton Santos da Silva, 21; Valdira Luiza da Silva, 38; Luiz Felipe Sales, 22 anos; Dilciane Pereira do Vale, de 28; Mércida da Silva Santos, 22; Sara Julicélia do Nascimento, 25 anos; Cliste Walyson da Silva, 21 anos; Allison de Araújo, 33; Kátia Maria da Silva, 31 anos; Fláviana da Silva, 35; Cláudio Bezerra dos Santos, 33 anos; José Carlos de Oliveira, 38 anos; Anderson Silva Santos, 25; Geovane Santos Aristides, de 19 anos; Fernando Leite dos Santos, de 21 anos e José Claudio, vulgo Ninho.

Participam da operação mais de 200 policiais civis e militares do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), da Radiopatrulha (RP), além da Força Nacional com o apoio dos núcleos de inteligência da SSP-AL.

De acordo com a SSP, o foco da ocupação, que deve durar três dias na Levada, é o combate ao tráfico de drogas na região, além de identificar e prender suspeitos de homicídios.

A operação cumpre 40 mandados de busca, apreensão e prisão expedidos pelas 15ª e 17ª Varas Criminais.

Polícia toma bairro da Levada (Foto: Heliana Gonçalves/TV Gazeta)
Polícia toma bairro da Levada (Foto: Heliana Gonçalves/TV Gazeta)
G1

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