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Israel desiste de nomear defensor das colônias como embaixador no Brasil

Danny Dayan, em Jerusalém, no dia 15 de fevereiro de 2016. Foto: Thomas Coex/AFP/Arquivos
Danny Dayan, em Jerusalém, no dia 15 de fevereiro de 2016. Foto: Thomas Coex/AFP/Arquivos

Jerusalém – Israel desistiu finalmente de nomear Danny Dayan, um conhecido defensor das colônias nos territórios na Cisjordânia, como embaixador no Brasil, após uma disputa diplomática de vários meses com Brasília. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu “decidiu nomear Danny Dayan como cônsul-geral em Nova York”, afirma um comunicado. 

Brasília rejeitou em agosto o candidato proposto pelo governo israelense, um empresário de origem argentina que dirigiu entre 2007 e 2013 o Conselho de Yesha, a principal organização de colonos nos Territórios Palestinos ocupados. Dayan, nascido na Argentina, emigrou para Israel em 1971 aos 15 anos. Ele mora na Cisjordânia ocupada e é contrário à criação de um Estado palestino. Netanyahu afirmou durante meses que não pretendia reconsiderar a nomeação. Ele insistia que Dayan era a pessoa apropriada e seria o único diplomata proposto ao Brasil. 

Depois de manter a posição firme por meses, Israel começou a ceder em meados de março. No dia 17, o ministério das Relações Exteriores anunciou a reabertura das candidaturas para o posto, mas 30 minutos depois retrocedeu e afirmou que na realidade havia acontecido um “lamentável erro burocrático” e que Dayan continuava como o embaixador nomeado para o Brasil. Nesta segunda-feira, fontes diplomáticas afirmaram que o processo provavelmente será reaberto. 

A vice-ministra das Relações Exteriores, Tzipi Hotovely, reagiu de maneira positiva à nomeação para Nova York. Ela afirmou que esta é uma “declaração importante ao mundo” de que Israel apoia um defensor das colônias “como um representante digno do Estado”. 

Em fevereiro, Hotovely havia declarado que seu ministério utilizaria “todos os meios a sua disposição para tornar válida a nomeação de Danny Dayan”. Para Dayan, a nomeação para Nova York é uma vitória contra aqueles que pedem um boicote a Israel por suas ações nos territórios ocupados, que influenciaram a rejeição a sua nomeação no Brasil. 

“Acredito que estas pessoas que não queriam um líder dos colonos em Brasília agora verão um líder desta causa na capital do mundo. No fim, isto é uma vitória”, afirmou em uma entrevista coletiva em Jerusalém. A construção de novas colônias, ilegal do ponto de vista da comunidade internacional, é considerada um grande obstáculo para a criação de um Estado palestino e para o processo de paz. O Brasil reconheceu o Estado da Palestina em 2010. Em 2014, o governo convocou para consultas seu embaixador em Israel para protestar pelo “uso desproporcional da força” durante a guerra na Faixa de Gaza, uma medida criticada pelos israelenses.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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