Justiça francesa decidirá recurso sobre denúncia de assassinato de Arafat

A justiça francesa anunciará em 17 de junho sua decisão sobre o recurso apresentado pela viúva de Yasser Arafat contra a decisão dos juízes encarregados por investigar a morte do ex-líder palestino de descartar a denúncia de assassinato por falta de provas.

Os advogados de Souha Arafat, Francis Szpiner e Renaud Semerdjian, contestaram a decisão de encerrar o caso junto ao tribunal de apelações de Versailles, perto de Paris, convencidos de que o caso foi fechado muito rápido. A procuradoria requisitou, por sua vez, uma audiência de confirmação desta decisão.

Os três magistrados encarregados do caso, que seguiram uma recomendação da procuradoria, consideraram no ano passado que “após investigações (…) não foi provado” que o presidente da Autoridade Palestina, morto em 2004 na França, foi assassinado, de acordo com a procuradoria de Nanterre (oeste de Paris).

Nenhum indiciamento foi apresentado neste caso. As causas da morte do presidente da Autoridade Palestina, que faleceu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos, no hospital militar de Percy, em Clamart, perto de Paris, depois de um rápido agravamento de seu estado de saúde em Ramallah, jamais foram esclarecidas.

Em 2012, os três juízes de Nanterre foram encarregados da investigação lançada depois da denúncia de Suha Arafat após a descoberta, tardia, de polônio 210 em objetos pessoais de seu marido. No momento da morte de Arafat, esta substância radioativa muito tóxica, que matou em 2006, em Londres, o ex-agente russo Alexandre Litvinenko, era muito pouco conhecida.

Em novembro de 2012, o túmulo de Arafat foi aberto em Ramallah e três equipes de investigadores franceses, suíços e russos recolheram amostras dos restos mortais do líder palestino para examiná-las. Um centro da cidade suíça de Lausanne encontrou nas amostras de Arafat “níveis anormais de polônio”, um potente elemento radioativo.

Mas os especialistas franceses consideraram que a concentração de polônio e chumbo encontrados no túmulo de Arafat tinham como origem o ‘meio ambiente’. Durante exames complementares, os franceses voltaram a examinar os dados das análises realizadas em 2004 pelo serviço de proteção radiológica do exército em amostras de urina de Arafat. Estes não apontaram para polônio.

Todos os pedidos de investigações adicionais foram rejeitados pela justiça, incluindo a requisição de uma “nova análise por um colegiado internacional”, além da convocação para depor dos médicos do hospital de Clamart para explicar a aparição “misteriosa” dos resultados das análises de uma amostra de urina, até então desconhecidos. Segundo os advogados, esses elementos não foram incluídos no dossiê, motivo suficiente para anular a perícia complementar. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *