Kerry revisa avanços de processo de paz entre governo colombiano e Farc

Sara Gómez Armas.

Havana, 21 mar (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, revisou nesta segunda-feira os avanços do processo de paz da Colômbia em reuniões separadas com as equipes do governo colombiano e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Havana, em um momento crucial das negociações, que já estão em sua reta final, mas com desafios complexos ainda pendentes.

Nos dois encontros, que aconteceram a portas fechadas e sem o acesso da imprensa, John Kerry lembrou a ambas as delegações que os Estados Unidos apoiam o processo de paz e que estão prontos para também apoiar o pós-conflito, com o plano “Paz Colômbia” que foi anunciado no mês passado e pelo qual serão investidos mais de US$ 450 milhões quando se chegar ao acordo final.

Kerry, que acompanha o presidente Barack Obama em sua histórica visita a Cuba, afirmou que os diálogos de paz da Colômbia e a nova relação entre os EUA e a ilha, “são um sinal da profunda transformação que está acontecendo na América Latina”, indicou o Departamento de Estado em comunicado.

O chefe da delegação de paz do governo colombiano, Humberto de la Calle, destacou que o encontro com Kerry foi muito “produtivo” e permitiu analisar “de maneira muito detalhada” os avanços e os desafios na mesa de negociação.

De la Calle, que se reuniu com Kerry junto a toda sua equipe de negociadores e assessores, indicou que os EUA se comprometeram a ajudar para garantir a “segurança das pessoas que renunciarem às armas”, o que é um elemento “crítico nas conversas”.

De fato, as partes tinham se comprometido a assinar o acordo de paz em 23 de março, dentro de dois dias, mas suas divergências no assunto das zonas de localização nas quais os guerrilheiros se concentrarão durante o cessar-fogo bilateral e na entrega das armas acabaram impedindo que esse prazo pudesse ser cumprido.

Segundo De la Calle, Kerry também corroborou o compromisso dos EUA de cooperar, junto com a Noruega, com o governo da Colômbia para “empreender uma ampla e profunda campanha de remoção de minas em todo o território nacional”.

O secretário de Estado americano também se reuniu com a equipe de negociadores das Farc, entre eles o principal líder da guerrilha, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, que está em Havana desde setembro, mas que não participa diretamente na mesa de negociações.

“Existem razões para crer que os Estados Unidos estão em condições de ver nas Farc um parceiro confiável na construção da paz continental, e esperamos que, em consequência, nos reconheçam como uma força política empenhada na expansão da democracia e do progresso social da Colômbia”, afirmou a guerrilha em comunicado publicado em seu site sobre a reunião com Kerry.

No encontro também participaram os integrantes do Secretariado Maior Central da guerrilha, que são negociadores plenipotenciários, como “Ivan Márquez”, “Pablo Catatumbo”, “Pastor Alape”, “Ricardo Téllez”, “Joaquín Gómez” e “Carlos Antón Losada”.

As Farc agradeceram ao governo americano seu compromisso para “pôr fim ao mais longo conflito armado” do continente e a nomeação, no ano passado, de um enviado especial ao processo de paz, Bernard Aronson, que os ajudou a “compreender a visão dos EUA sobre a Colômbia”.

“Aspiramos a que, por seu intermédio, também compreendam nossa luta altruísta, cheia de ideais e de humanismo”, disseram as Farc, uma organização guerrilheira que ainda figura na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos.

A insurgência também solicitou diretamente a Kerry que os Estados Unidos ajudem a “conter a violência paramilitar, que no meio do processo de paz, segue impunemente segando a vida de defensores de direitos humanos e dirigentes sociais”.

As duas delegações estiveram de acordo com Kerry em que o rumo deste processo traz esperanças para acabar com mais de meio século de guerra na Colômbia, mas ambos admitiram as dificuldades dos temas que estão agora no centro das negociações, como o cessar-fogo bilateral e definitivo, que será verificado por uma equipe formada pela ONU, e a desmobilização da guerrilha em condições de segurança.

O encontro de Kerry com as duas delegações ocorreu a portas fechadas em um salão de protocolo do El Laguito, um exclusivo complexo que o governo cubano reserva para visitas de alta categoria e no qual estão hospedados os negociadores de paz desde que as conversas começaram em Havana em novembro de 2012.

Fonte: Bol.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *