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Manifestantes trocam avenida Paulista pelos gramados do Lollapalooza

Enquanto o Brasil é tomado neste domingo (13) por manifestações contra o governo federal, o Lollapalooza Brasil 2016, em São Paulo, não se isolou completamente.

Entre as dez pessoas abordadas pelo UOL que estavam pelo festival com camiseta, canga ou artigos do Brasil, símbolos dos protestos pelo país, nove disseram que foi coincidência e que queriam apenas celebrar o evento.

Mas um deles, Erick Andrade, que estava acompanhado da mulher Carolina Valero, disse que a proposta era proposital. “Se não estivéssemos aqui, com certeza estaríamos na avenida Paulista”, disse ele.

A produtora de eventos Monica Gheno, 42, de Cuiabá, fã de Florence + the Machine, disse que estava mesmo era com “muita vontade” de ir para a rua, mas sua solução foi pendurar uma pequena bandeira na mochila. “O que importa é carregar o Brasil”, disse. “Espero que role um minuto de silêncio contra a corrupção. Que a gente se manifeste, mesmo calado”.

Andrea Bianchetti, 37, também ficou balançada entre ir ao festival e à passeata. “Fui em todas as manifestações e fiquei chateada de ter que voltar nessa. Eu queria uma manifestação que começasse lá [na avenida Paulista] e acabasse aqui”, reivindicou. Ela acredita que o coro dos descontentes ainda vai engrossar no festival. “Acho que muita gente vai na passeata e vir para o show da Florence”, disse a paulistana, que quis garantir lugar cedo para assistir Twenty One Pilots e Alabama Shakes.

Do lado de fora

Fora do Autódromo de Interlagos, onde acontece o Lollapalooza, a turma do festival e a da manifestação se cruzaram nos transportes públicos de São Paulo. Os focos de cruzamento eram a Linha 4-Amarela, na zona oeste da capital, nos dois sentidos, e, principalmente na estação Pinheiros, que faz integração com a Linha 9-Esmeralda da CPTM, principal meio de transporte usado pelo público do festival.

Leonardo Rodrigues/UOL

Encontro de manifestantes e público no transporte público de SP

Nas escadas rolantes e corredores da estação era nítido o contraste entre os dois sentidos. Mas, durante a meia hora que a reportagem do UOL permaneceu no local, não houve conflitos nos entroncamentos.

Enquanto os manifestantes sopravam apitos e a corneta vuvuzela, a patota do rock seguia tranquila pela estação, quase sempre ignorando a algazarra. Ainda havia espaço nos trens para alguns torcedores dos times do São Paulo e do Palmeiras, que disputaram o clássico no Pacaembu em jogo marcado para as 11h –estes também discretos.

“Engraçado que, no outro lado [do corredor], só tem gente mais velha passando. Eles gritam, provocam, mas ninguém responde nada”, disse a coordenadora de marketing Mariane Pinheiro, que saiu da Paulista em direção ao festival. “Tenho muito conflito em casa. Sou de esquerda, e eles são de direita. Eles sempre participam dos protestos”, contou à reportagem.

Já a funcionária pública Luiza Bastos, que ia da zona sul rumo à Paulista, disse que sabia da realização do festival. “Não teve conflito nenhum por onde passou e está tudo bem. Agora, eles bem que podiam ir para o show de verde e amarelo. Não estou vendo ninguém assim. É uma pena”, reclamou.

Em meio ao conflito de gerações e ideias, também havia quem não parecia estar nem aí para “isso tudo que está aí”. “Eles não deviam ter marcado o protesto e o show para o mesmo dia. Essa é uma questão complicada. Se tirar PT e colocar PSDB não adianta nada. Tem é que ter uma reforma geral para acabar com a corrupção”, sugeriu o maquinista da CPTM Raimundo Gonçalves, 41.

Fonte: Bol.com.br

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