Microsoft aposta em futuro com robôs no lugar de aplicativos

Redação Olhar Digital
30/03/2016 15h30

Inteligência Artificial

Microsoft

Robôs

A era dos smartphones e da computação pessoal popularizou o uso de aplicativos: isto é, programas desenvolvidos para executar funções específicas através dos comandos do usuário. No futuro, porém, a tendência é que a relação entre humanos e máquinas se torne cada vez mais natural, o que pode mudar radicalmente a maneira como usamos esses aplicativos.

Google e Facebook já mostraram suas ideias neste sentido. Hoje, a Microsoft se juntou ao grupo, revelando a visão de um futuro em que não nos relacionamos mais com apps, mas com robôs virtuais. Durante a Build 2016, sua conferência anual para desenvolvedores, a empresa apresentou uma nova plataforma que permitirá a programadores e empresas construir seus próprios robôs.

Mas de que tipo de robôs estamos falando? Esqueça os homens de lata da ficção científica e das pesquisas em desenvolvimento militar da Boston Dynamics. Os robôs que interessam à Microsoft são sistemas de inteligência artificial que conversam com o usuário pela internet, executando funções através de ordens simples, seja por comandos de voz ou de texto.

Um exemplo foi o robô da Domino’s Pizza, popular rede de pizzarias dos Estados Unidos, apresentado na conferência. A ideia é que um cliente possa simplesmente entrar em contato com esse sistema – uma espécie de atendente virtual – por SMS, WhatsApp, Telegram ou qualquer outro meio; dizer o que quer e onde será entregue o pedido. Mas em vez de usar frases claras e objetivas, a ideia é que o cliente possa conversar com o robô como quem fala com um amigo.

Reprodução 

Por exemplo: em vez de dizer “Uma pizza de sabor Pepperoni, entregar na Rua X, número 100, bairro Tal”, etc.; o usuário pode simplesmente dizer “quero uma pizza de Pepperoni entregue aqui”. No futuro imaginado pela Microsoft, a inteligência artificial por trás do robô poderá usar dados de geolocalização e interpretar a linguagem do cliente de forma subjetiva para entender que “aqui” identifica um endereço específico no mapa.

Imagine, portanto, um mundo em que você não precise mais tocar no ícone do Facebook Messenger no seu celular, selecionar um amigo na lista de contatos – digamos, alguém chamado Rafaela -, escrever e pressionar a tecla “enviar” para mandar uma mensagem. Em vez disso, com um robô, você poderia simplesmente dizer ao seu celular: “mande um oi para Rafaela” e pronto.

Obstáculos

No entanto, para que robôs sejam “os novos aplicativos”, como previu Satya Nadella, presidente da Microsoft, durante a conferência desta quarta, é preciso superar os obstáculos da linguagem. E entender como humanos se comunicam e traduzir essa linguagem para comandos que um sistema informatizado possam compreender é uma tarefa muito mais complicada do que parece.

Recentemente, a Microsoft lançou o Tay, um robô desenvolvido para se relacionar com usuários do Twitter e entender como os jovens modernos se comunicam nas redes sociais. O objetivo era interpretar nuances, ironias, gírias e outras expressões mais subjetivas no discurso das pessoas e usar essas informações para aprimorar sistemas de inteligência artificial. Mas as coisas saíram do controle.

Apenas um dia depois da estreia do projeto, a Microsoft se viu obrigada a remover Tay da rede. O motivo? A interação contínua com um certo grupo de usuários mal-intencionados fez com que o robô passasse a distribuir mensagens de ódio, promovendo o racismo, a xenofobia e outras afirmações polêmicas no Twitter. Não era essa a ideia original, segundo a empresa.

De todo modo, Satya Nadella disse que a Microsoft ainda não desistiu de Tay. Na Ásia, por exemplo, o robô tem sido um experimento de sucesso, e a empresa ainda está trabalhando em formas de compreender o que deu errado com a iniciativa no Ocidente. De qualquer forma, a empresa diz que o caso tornou ainda mais visíveis os obstáculos no processo de comunicação entre humanos e máquinas.

Robôs falam em códigos, muitas vezes binários e extremamente objetivos; enquanto nós, seres humanos, usamos figuras de linguagem, gírias, expressões de duplo sentido, mudamos o tom da fala, entre outras subjetividades. Cada uma dessas nuances pode mudar completamente o conteúdo da mensagem que tentamos transmitir, e um robô realmente inteligente precisa saber interpretar da maneira correta todas elas.

“A linguagem humana é a nova interface de usuário”, disse Satya. “Robôs são os novos apps, enquanto assistentes digitais são ‘meta apps’. Nosso objetivo é inserir inteligência em todas as interações do usuário com um software”, acrescentou o CEO, dizendo ainda que um dos pilares para que esse futuro se torne realidade está em uma filosofia simples: a de inclusão e respeito humano em primeiro lugar.

Fonte: Olhar Digital
Matéria originalmente postada no site olhardigital.uol.com.br

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