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Moradores de Jalisco "velam" imagens de Cristo no Sábado de Aleluia

San Martín de Hidalgo (México), 26 mar (EFE).- Centenas de pessoas “velaram” neste sábado 53 imagens de Jesus Cristo na cidade de San Martín de Hidalgo, no estado mexicano de Jalisco, uma tradição de quatro séculos que mistura elementos pré-hispânicos e costumes católicos.

Ao final da representação da Paixão de Cristo, na Sexta-feira Santa, os moradores arrumam os altares onde “tendem” as figuras religiosas, que permanecem durante toda a noite rodeadas de flores, velas e orações. Um desses moradores é Javier García. Para ele, esta é uma forma de representar Jesus quando foi pregado na cruz. Segundo ele, a tradição, conhecida como “Tendidos de Cristo” (semelhante à Vigília Pascal), data do século 16, quando os franciscanos chegaram a Jalisco para evangelizar os indígenas da região.

“Esse foi um elemento dos muitos usados para catequizar os indígenas”, explica o dono de um dos cristos com mais de 350 anos de existência.

Os “tendidos” começaram como um costume dos índios Purépechas e seus primeiros descendentes que viviam perto da cidade, onde as imagens de Cristo a base de madeira são elaboradas. Aos poucos, a tradição se estendeu a outras colônias de San Martín de Hidalgo até se tornar a maior festa popular da região, a ponto de ser declarada Patrimônio Material e Imaterial de Jalisco.

As imagens são passadas de geração em geração e guardadas pelas famílias. Ao chegar a Sexta-feira Santa, são retiradas por um “padrinho”, que ajuda a vestir a imagem com um novo “cendal” ou “tanga”, e que colabora na organização do “tendido”.

Depois das três da tarde, horário que segundo a tradição Jesus morreu, as famílias se reúnem em torno do altar para colocar o Cristo, rezar e acender as velas. O ritual é embalado pela melodia do “huil”, um instrumento pré-hispânico cujo som lembra um lamento.

O sincretismo religioso se faz presente em cada elemento do altar adornado com 33 velas, que representam a idade de Jesus ao morrer; um petate (tapete tecido de fibras naturais), usado pelas comunidades pré-hispânicas para envolver seus mortos; tecidos arroxeados em sinal de luto; e o copal, uma pedra que os indígenas queimam para purificar seus rituais.

Para os habitantes, a data representa um momento de reflexão e de renovação da fé. Alguns deles, como Juan Barbosa, aproveitam o momento para agradecer os milagres recebidos.

“Para mim, é como fazer uma reflexão. Ter um contato espiritual com Ele aqui não mais pedindo, mas pondo minha vida e minha vontade aos seus cuidados”, afirma Barbosa, que este ano é “padrinho” de um dos Cristos.

O “Tendido de Cristo” é também uma oportunidade para reunir os familiares que moram longe e fomentar a tradição, como ocorre com María Isabel Jiménez, que veio dos Estados Unidos só para isso.

“Viemos de muito longe para estar com Ele. Para que a tradição continue todos os anos e não se perca”, disse à Efe.

A maioria das pessoas desmonta os seus altares ao meio-dia do Sábado de Aleluia, mas alguns optam por continuar até o Domingo de Páscoa, quando a história indica que Jesus Cristo ressuscitou.

Independentemente de quando seja desfeito, a memória desta tradição dura o ano todo, pois algumas famílias “abençoam” moedas com os pedacinhos das velas utilizadas e depois as repartem entre vizinhos e amigos.

“É uma forma de garantir que não vai faltar dinheiro”, concluiu Silvia García.

Fonte: Bol.com.br

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