MP pede à Polícia Civil lista de inquéritos abertos sobre mortes em confronto

Promotor Flávio Costa fez solicitação após ouvir parentes de mortos na abordagem do Village Campestre Promotor Flávio Costa fez solicitação após ouvir parentes de mortos na abordagem do Village Campestre 

 

Após receber parentes dos irmãos e do pedreiro que foram mortos durante uma abordagem policial, ocorrida na semana passada, no conjunto Village Campestre, em Maceió, o promotor Flávio Gomes da Costa, do Núcleo do Controle Externo da Atividade Policial, pediu oficialmente à Polícia Civil e ao comando-geral da Polícia Militar (PM) de Alagoas informações sobre a instauração de inquérito e procedimento disciplinar para apurar o caso. Ele também requisitou que a polícia judiciária informe quantos inquéritos foram instaurados, ano passado e já em 2016, de mortes em confronto com as forças de segurança.

À Delegacia de Homicídios e à Corregedoria Geral da PM o promotor solicitou o informe da numeração da apuração que foi aberta para que o Ministério Público possa acompanhá-la mais de perto. 

Costa classificou como grave a denúncia feita pelos parentes de que os policiais mataram as três pessoas de maneira arbitrária, sem motivos e ainda torturando os menores. No entanto, diz que prefere aguardar o resultado das investigações no âmbito policial para ter mais fundamento.

"Toda denúncia que envolve agentes da segurança pública é de natureza grave e precisa ser investigada com rigor e profundidade", revela o promotor de justiça.

Afastamento

Os parentes das vítimas foram ouvidos por Flávio Costa e, mais uma vez, contestaram a versão apresentada pelos integrantes do 5º Batalhão de que houve troca de tiros. Nessa quarta-feira, os familiares também foram interrogados pela delegada Teíla Nogueira, responsável pelo inquérito no âmbito da Polícia Civil.

Ainda nessa quarta, o Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) determinou, por unanimidade, afastar das ruas a guarnição envolvida na morte dos irmãos Josenildo e Josivaldo Ferreira, e do pedreiro Reinaldo da Silva. Os militares envolvidos na ação deverão ser relocados das funções durante o processo de investigação. O colegiado também vai investigar o caso.

Estado de saúde dos militares

Os dois policiais feridos na mão neste episódio são soldados do 5º Batalhão. Segundo uma fonte, um deles precisou ser operado na mão e corre o risco de perder os movimentos da articulação do membro. O comando da unidade militar informou que o soldado com quadro mais grave corria o risco de ser aposentado por invalidez e garantiu que a abordagem aconteceu dentro da legalidade.

Prova técnica

A Polícia Civil não contará com uma prova técnica importante para tentar elucidar estas mortes. Sem o exame residuográfico, vai ficar difícil provar que Josenildo e Josivaldo Ferreira manusearam armas e se envolveram numa troca de tiros, conforme versão apresentada pelos integrantes da guarnição.

O procedimento, na prática, é feito pelos peritos do Instituto de Criminalística (IC) e poderia detectar a presença de vestígios de pólvora ou chumbo nas mãos dos envolvidos no episódio. A assessoria de imprensa da Perícia Oficial do Estado de Alagoas (POAL) explicou que o exame não foi feito por falta de solicitação da própria Polícia Civil. Além disso, segundo a assessoria, os jovens foram retirados do local e socorridos para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde morreram. Neste meio tempo, nenhum delegado teria pedido o residuográfico.

As armas encontradas no local foram recolhidas pela perícia e estão passando por uma análise. O resultado deve sair até a próxima semana e será encaminhado à comissão que investiga o fato, composta pelos delegados Teíla Nogueira (presidente do inquérito), Rebecca Cordeiro e Antônio Henrique Pinto, todos da Delegacia de Homicídios da Capital. 

 

Por Thiago Gomes

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