Musical sobre Chico Buarque é interrompido após comentário político de ator

Um musical com canções de Chico Buarque foi cancelado na noite de sábado, em Belo Horizonte, após manifestação política do ator e co-diretor Cláudio Botelho.

Durante a apresentação de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”, Botelho fez um improviso em cena, sugerindo a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamando a presidente Dilma Rousseff de “ladra”.

A plateia que assistia ao espetáculo no teatro SESC Palladium respondeu com gritos e vaias. Logo, o local foi tomado pelo coro de “Não vai ter golpe”, que tem sido ouvido nas manifestações pró-governo.

O ator tentou continuar a encenação, mas a plateia não se calou. “Só um momento. Depois que eu falar, vocês continuam”, disse Botelho, sugerindo que quem quisesse sair, poderia ter o ingresso devolvido na bilheteria. O espetáculo foi cancelado em seguida. A polícia chegou a ser chamada e o elenco saiu pelas portas dos fundos para evitar confusão.

Em nota, o Sesc Palladium confirmou as informações e cancelou a sessão deste domingo. “Esclarecemos que o Sesc em Minas, a Pólobh e demais instituições envolvidas são apartidárias. Compreendendo o momento pelo qual o país passa atualmente e primando pela segurança de todos, a sessão prevista para este domingo (20/03) está cancelada”, diz o comunicado.

Nas redes sociais, parte da plateia relatou a confusão. “Ele fez uma intervenção aparentemente política, mas querendo usar seu prestígio para induzir as pessoas, ele condenou toda a luta dos artistas para a liberdade de expressão”, disse o ator Adir Assunção, em depoimento gravado. “Muito bacana, raras vezes eu vi o público se levantar e dizer não a um artista careta, fascista”, afirmou.
 


@hilde_angel
@stanleyburburin @AGotadAgua ator Claudio Botelho inflamou a plateia ao chamar Dilma de ladra pic.twitter.com/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7hvA7Bv1aM

— Agnaldo Gonçalves Ro (@professoragnald) 20 de março de 2016

Outro lado
Ao UOL, Claudio Botelho atacou a reação da plateia e se disse “assustado”. “Estamos em 2016, ainda tem quem impede um espetáculo de acontecer. Está restaurada a censura”, criticou. 

Ele explicou que a cena com o improviso acontece em todo o espetáculo. “Eu interpreto um ator que chega a uma vila e pergunta para a plateia onde os moradores estão. ‘Será que eles estão assistindo novela?’, eu costumo dizer. Desta vez, falei: ‘Ou será que estão assistindo a prisão de um ex-presidente? Ou uma presidente ladra sendo vítima de impeachment?’“, relatou. “Depois que eu vi que é uma cidade governada por um petista. Acho que fui ingênuo. Faço o mea culpa”. Na realidade, o estado de Minas Gerais é governado por Fernando Pimentel (PT), enquanto a capital tem Marcio Lacerda (PSB) como prefeito.

Horas depois do ocorrido, um áudio divulgado na plataforma Soundcloud (ouça aqui) trazia uma discussão entre Botelho e uma atriz do grupo teatral, gravada logo após o cancelamento da peça, onde ele supostamente utiliza a palavra ‘negro’ ao reclamar da reação: “O artista no palco é um rei. Não pode ser peitado. Não pode ser interrompido por um negro, por um filho da puta”, vocifera. O ator confirmou a autenticidade do áudio, mas rechaçou que tenha usado a palavra ‘negro’.?

A atriz argumenta que Botelho teria misturado ficção com a realidade, mexendo em uma ferida que está aberta, principalmente nesta semana. “Eles que misturaram. Olha, em 1967 os militares pararam ‘Roda Viva’, hoje os petistas pararam ‘Roda Viva’, você entende?”. 

Em cartaz desde 2014, “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” é composto por trechos e histórias das obra de Chico no cinema e no teatro, sobretudo da década de 1970, dentre eles “Roda Viva” (1967), “Ópera do Malandro” (1978), “Calabar” (1973), “Quando o Carnaval Chegar” (1972), “Para Viver um Grande Amor” (1983) e “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976).

“Roda Viva” acabou se tornando um símbolo da resistência contra a ditadura, quando em 1968 um grupo do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, e espancou os artistas.

Em dezembro do ano passado, Chico Buarque também foi alvo de uma discussão nas ruas do Rio de Janeiro. O músico, que saía de um jantar com Cacá Diegues, foi cercado por um grupo de jovens, que incluía o rapper Tulio Dek, e ouviu: “Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido”.


@hilde_angel
@stanleyburburin @AGotadAgua ator Claudio Botelho inflamou a plateia ao chamar Dilma de ladra pic.twitter.com/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7hvA7Bv1aM

— Agnaldo Gonçalves Ro (@professoragnald) 20 de março de 2016

#naovaitergolpe pseudo artista tripudia a obra de Chico Buarque em BH pic.twitter.com/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

wdVLzo3h2Y

— Agr (@professoragnald) 20 de março de 2016

O musical estava maravilhoso. O ator Claudio Botelho representava Chico Buarque e agrediu a platéia. Discurso de ódio. O público se

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

retirou

— MAÍRA LEMOS (@MAIRAVLEMOS) March 20, 2016

Notícia de agora! Durante a apresentação do Espetáculo “Todos os Musicais de Chico Buarque”, no Grande Teatro do Palácio das Artes em BH, o Diretor do Espetáculo, Claudio Botelho inicia uma sequência de ataques a Presidenta Dilma e ao Ex-Presidente Lula, e o público presente começa a rebater de pé “Não Vai Ter Golpe!!” A confusão segue, em que o público busca reaver o dinheiro do

ingresso.

Posted by Eli Eliete on Saturday, March 19, 2016

Fonte: Bol.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *