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Na véspera da Páscoa, Iron Maiden se despede do Brasil com show infernal

Os britânicos do Iron Maiden encerraram neste sábado, véspera da Páscoa, no Allianz Parque, a turnê pelo Brasil. Por volta das 21h30, eles subiram ao palco, na capital paulista, e repetiram para 42 mil pessoas o ritual pagão que apresentaram nos outros quatro shows que fizeram no país. A apresentação teve direito a um ensandecido e teatral Bruce Dickinson arrancando com as próprias mãos o coração pulsante de Eddie (o mascote demoníaco do grupo) e o jogando ensanguentado para a plateia.

“Estou triste porque este é o último show da nossa turnê aqui no Brasil. Mas guardamos a melhor apresentação da turnê para São Paulo”, disse Bruce antes de cantar ” Children of the Damned”.

Nem a perturbante proximidade com a data da ressurreição de Jesus Cristo pareceu ter abalado a banda. Pelo contrário, o grupo britânico estava mais inspirado e executou com afinco as hereges faixas de seu repertório, com destaque para “Children of the Damned”, onde Dickinson entoa a pleno pulmões: “Se estivesse vivo, ele talvez tivesse crucificado a todos nós”.

E, claro, a mais infernal de todas: “The Number of the Beast”, onde a banda faz uma ode ao anticristo, acompanhado em uníssono, tal qual uma oração negra, pelo exército de camisas pretas que “rezaram” em inglês os versos iniciais: “Maldito seja, Ó Terra e Mar / O Demônio manda a besta com fúria / Porque ele sabe que o tempo é curto / Deixe aquele que ousa tentar entender / O número da besta / é o número humano / seu número é 666”.

“Estamos tristes por deixar o Brasil, mas com certeza vamos voltar”, disse Bruce. “Viemos para o Brasil pela primeira vez em 1985, quando muitos de vocês nem eram nascidos. Já passamos por Curitiba, Belém, Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, entre outras cidades. Mas sempre que viemos aqui percebemos a diferença. São Paulo é o coração pulsante do metal brasileiro”, afirmou o vocalista.

Para a alegria – ou tristeza dos fãs – a atual turnê não abre espaço para improvisos. Com o repertório imutável desde que pegaram a estrada no início deste ano, a banda se comporta como se seus integrantes fossem atores interpretando uma imensa peça teatral, tendo como cenário as misteriosas pirâmides mexicanas da civilização Maia, que adornam o palco.

Mas não importa. Assistir a um show do Iron Maiden é praticamente como acompanhar uma cerimônia religiosa. Com a diferença de que esta “igreja”, no final do ano, terá viajado 88,5 mil quilômetros ao redor do mundo, passando por 35 países e seis continentes, arrastando mais de 12 toneladas de equipamentos de som e luz, a bordo de um Jumbo pilotado pelo próprio vocalista.

Assim como nos outros shows, a apresentação paulista foi aberta com as faixas “If Eternity Should Fail” e “Speed Of Light”, ambas do novo álbum “The Book Of Souls”. Mas o espetáculo guardou espaço também para clássicos como “The Trooper”, “Powerslave”, “Iron Maiden”, “Blood Brothers” e “Wasted Years”.

Gritos de Fora Dilma

Antes do Iron Maiden subir ao palco, as bandas The Raven Age (do guitarrista George Harris, filho do baixista Steve Harris) e Anthrax fizeram os shows de abertura. A primeira tocou por apenas 30 minutos, enquanto a segunda fez um set um pouco mais longo, com oito faixas, passando pelos principais clássicos da carreira.

A surpresa no show do Anthrax foi o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, que entrou no final da apresentação para tocar “Indians”. A ligação de Kisser com o Anthrax é antiga. No início dos anos 2000, Kisser substituiu por alguns meses Scott Ian.

Nos intervalos das apresentações, o público intercalou gritos de “Maiden, Maiden, Maiden”, com “Fora Dilma” e “Ei Dilma vai tomar no ..”.

Fonte: Bol.com.br

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