O Guerreiro por Fernando Moura Peixoto

[Nota do autor: escrito em 1977 – durante o penúltimo período da ditadura militar em nosso país – este trabalho recebeu o Prêmio de Edição em concurso da Litteris Editora em 1994, sendo publicado na antologia EMOÇÕES LITERÁRIAS.]

 

“Primeiro é preciso derrubar o muro; depois a gente discute para ver com quem fica o poder.” CARLOS LACERDA (1914 – 1977) 

 

O guerreiro se sente cansado.

A luta é intensa

e a causa, justa.

Mas combate só,

os amigos não o apoiam.

Ele insiste, não desiste.

 

O guerreiro se sente cansado.

Não esmorece, mas se aborrece.

Lamenta a não adesão,

a falta de união.

Os outros não o entendem.

Ele insiste, não desiste.

 

O guerreiro se sente cansado.

Cansado se senta,

os músculos doridos.

Reflete, pensa um bocado

no inimigo a derrotar

e volta à refrega.

 

Ele insiste, não desiste.

Não se sente vencido,

ainda tem forças.

Prefere cair de pé,

morrer por suas ideias

a se ver humilhado.

 

O guerreiro se sente cansado.

 

 

Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

 

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