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Opinião: Para refletir

Por Pedro Eurico Barros e Silva
Secretário de Justiça e Direitos Humanos

O 21 de março deveria ser aqui e no mundo um dia de reflexão, mas ainda continua sendo, para muitos, uma data desconhecida.  Foi num 21 de março, em 1960, que ocorreu um massacre em Johanesburgo, na África do Sul, quando 20 mil pessoas protestavam contra uma lei do regime do apartheid que exigia que os negros usassem um cartão com os lugares onde era permitida sua circulação. A manifestação era pacífica, mas os órgãos de segurança do regime atiraram em direção à multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

Em memória a essa tragédia, que ficou conhecida como Massacre de Sharpeville, com referência ao local onde acontecia a mainifestação, a Organização das Nações Unidas (ONU)  instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.  De lá para cá, a sociedade mudou, mas há ainda há muito a ser feito para minimizar a realidade vivida pelos negros, especialmente no Brasil, reduzindo a desigualdade e combatendo toda e qualquer forma de discriminação racial.

Segundo a própria ONU, em recente matéria publicada na imprensa, que abordou um documento preparado pela relatora sobre Direito de Minorias da Organização, Rita Izak, “lamentavelmente, a pobreza no Brasil continua tendo uma cor. Das 16,2 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza no país, 70,8% delas são afro-brasileiros. Segundo o levantamento da ONU, os salários médios dos negros no Brasil são 2,4 vezes mais baixos que os dos brancos e 80% dos analfabetos brasileiros são negros”.

De acordo com o relatório da ONU, dos 56 mil homicídios no Brasil por ano, 30 mil envolveram pessoas de 15 a 29 anos. Desses, 77% eram garotos negros.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014, realizada pelo IBGE,  53% dos brasileiros se declararam pardos ou negros, diante de 45,5% que se disseram brancos, como mostram diversos registros na imprensa.  Somos um país em que sua população se autodeclara, em sua maioria, negra, mas cabe questionar os motivos pelos quais ainda encontramos tantas demonstrações de racismo, agora inclusive também nas redes sociais?

Recentemente tivemos  casos de muita repercussão neste sentido envolvendo a atriz Taís Araújo e as jornalistas Maria Júlia Coutinho e  Cristiane Damacena, que foram alvo de comentários racistas no Facebook.  Então, no nosso entendimento, no mundo virtual e no mundo real, o tema merece e muito ainda ser discutido, não só naquela data, mas ao longo do ano, pois, como bem disse Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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