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PMDB dá aviso prévio ao Palácio do Planalto

O PMDB começou a cumprir ontem um “aviso prévio” de manter-se no governo por mais 30 dias até que o diretório nacional — comandado pelo vice-presidente da República, Michel Temer — decida se pula fora do barco comandado pela presidente Dilma Rousseff. Até lá, nenhum cargo ministerial deverá ser aceito pelo partido, o que deixa a ida do deputado federal Mauro Lopes (MG) para a Secretaria da Aviação Civil em suspenso. A decisão foi tomada durante convenção nacional, em Brasília.

Ao adiar a tomada de decisão sobre a debandada do governo, o partido quer, na verdade, aguardar as manifestações de hoje, previstas nas principais capitais do país, para sentir o termômetro das ruas e a resposta da sociedade aos últimos fatos da crise política. Em seu discurso no encontro, Temer optou pela neutralidade, sem bater nem afagar o governo do qual faz parte. Cobrado por correligionários para que assumisse uma posição mais contundente sobre a saída do governo, refutou.

“Não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar os ânimos, de levantar muros. A hora é de construir pontes”, disse, sem citar a presidente Dilma, as manifestações sociais ou mesmo sobre o lançamento de candidatura própria pelo partido, assunto recorrente em discursos anteriores.

O PMDB comanda atualmente seis pastas: a da Saúde, com Marcelo Castro; a de Ciência, Tecnologia e Inovação, com Celso Pansera; a de Minas e Energia, com Eduardo Braga; a do Turismo, com Henrique Eduardo Alves; a da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com Kátia Abreu; e a Secretaria de Portos da Presidência da República, com Helder Barbalho.

Até a chegada de Temer, do ex-presidente José Sarney, de ministros do partido e dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), quem assistia à reunião com centenas de militantes poderia imaginar estar diante de um partido de oposição. Os caciques da legenda chegaram juntos ao auditório do encontro. Os pedidos de “saída já” e “fora, PT” e a defesa contundente do abandono imediato do governo eram defendidos aos gritos, tanto por quem estava na tribuna quanto pelos que apenas assistiam.

“Um dos malefícios do nosso partido — que precisa ser controlado — é o apego aos cargos”, declarou Geddel Vieira Filho, ex-vice-presidente da Caixa e, há pouco tempo um dos principais articuladores do PMDB por espaço no governo, especialmente quando ministro da Integração Nacional. “Esse governo vai cair. O que temos que decidir é onde queremos estar no momento em que isso acontecer”, gritava o deputado federal Carlos Marun (MS).

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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