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Preços altos não fazem alagoanos dispensar peixe na Semana Santa

Segundo eles, o esforço vale a pena, pois há prazer espiritual na tradição. Vendedores de pescados esperam lucrar alto durante o período.

 

Mesmo com a alta do preço do pescado, os católicos não vão abrir mão da tradição de comer o peixe durante a Semana Santa emAlagoas. Segundo eles, o esforço vale a pena, porque há um prazer espiritual.

Para quem não quer gastar muito, mas também não quer abrir mão da tradição, há espécies que custam mais barato, como por exemplo a sardinha que pode ser encontrada de R$ 7 o quilo no Mercado da Produção, na Levada.

O empresário Marcelo Peixoto, 56, é católico e afirma que não abre mão da tradição.

“Tá muito caro, mas como é só uma vez no ano, vale a pena o esforço. O peixe que mais consumo é arabaiana, mas caso não tivesse condições de comprar ele, adquiria um mais acessível, como a sardinha, mas nunca abriria mão [da tradição]”.

Para Marcelo, o significado do alimento neste período é muito importante. “Essa tradição vem de longe, no passado, a carne vermelha estava relacionada a banquetes nos palácios, sendo símbolo da gula e do pecado, por isso a igreja pedia que nesse período da quaresma fosse evitado o seu consumo, para termos a abstenção do pecado”.

Um dos peixes mais procurados nessa época é o famoso bacalhau, que podia ser encontrado nos meses passados de R$ 28 o quilo, e agora está custando em média R$ 34. O dourado que também é bastante requisitado estava de R$ 20 e agora pode ser encontrado de até R$ 25 no Mercado da Produção.

Maria José Lins, 51, mostrando o peixe bacalhau (Foto: Suely Melo/ G1)

A vendedora Maria José Lins, 51, mostrando o peixe bacalhau (Foto: Suely Melo/ G1)

A vendedora, Maria José Lins, 51, trabalha há mais de 20 anos no mercado da produção de Maceió com a venda de charque, mas quando chega esse período do ano, ela muda de produto e aposta no bacalhau.

“Todo ano, quando chega a Semana Santa, a procura pelo peixe cresce, então eu acrescento o bacalhau à minha barraca. Com a inflação, o peixe sempre aumenta, ano passado eu vendi o bacalhau por R$ 25. Esse ano, está custando R$ 28, e na Semana Santa subiu para mais de R$ 30”, avalia.

Adilson Baía, 50, é católico e também não abre mão do peixe. “Eu e toda a minha família seguimos os princípios do catolicismo e nele aprendemos que o peixe é um alimento sem pecado. Não irei abrir mão de comprá-lo, pois apesar da alta do preço, há uma representatividade religiosa para mim, o prazer pessoal e emocional é o que vai contar durante a semana”.

Há mais de 20 anos trabalhando com a venda de peixe, Neilson Fontes, 42, espera ansioso por esse período. “O dourado é um dos peixes mais procurados aqui, ele está custando R$ 20, a Cioba, R$ 25 e a Arabaina, R$ 28. Também tem a Cavala, que custa R$ 25, todos esses são muito procurados”.

A trabalhadora autônoma Ana Patrícia, 39, diz que o peixe traz a renovação de sua fé católica, "Mesmo se eu não pudesse comprar o peixe durante a Semana Santa, eu faria um esforço, mas não o deixaria de consumir, pois esse ato é muito importante para nós católicos, nos renova. O pescado que eu mais consumo é o bacalhau, mas caso eu não pudesse adquiri-lo partiria para um mais barato como a Tilápia".

Movimento no Mercado da Produção de Maceió (Foto: Suely Melo/ G1)

Movimento no Mercado da Produção de Maceió (Foto: Suely Melo/ G1)

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