Prefeitura instala sensores para prevenir deslizamentos de barreiras no Recife

Vera Lúcia da Costa, 48 anos, mora com o marido na casa de número 223 da Rua João Rio Branco de Lima. Em cima de uma das maiores barreiras da UR-5, no bairro do Ibura, o casal vive em uma situação de constante preocupação. Segundo ela, todas as vezes que chove forte na cidade, parte da barreira cai. No último inverno, além da barreira, caiu também parte do muro e do chão da área de serviço da casa, deixando mais dois muros com grandes rachaduras. “No inverno eu não uso essa área. A gente fica muito preocupado, isso pode cair e a gente ir junto”, afirmou Vera.

Consideradas áreas de risco, as barreiras são a base da moradia de centenas de famílias. Durante as operações de inverno da Defesa Civil do Recife (Codecir), algumas barreiras receberam lonas, capinação e outros paliativos para evitar que a terra encharque e resulte no deslizamento. Entretanto, segundo a gerente geral de engenharia da Defesa Civil, Elaine Holanda, alguns pontos não estão aptos a receber a lona. Algumas áreas porque são muito grandes ou, nos casos mais graves, porque não vai reverter o quadro de deslizamento, como é o caso da área de barreiras do UR-5, que tem cerca de 70 metros de altura.

Com o objetivo de prevenir que os desabamentos constantes em períodos chuvosos agravem-se e causem vítimas, a Codecir vai instalar sensores de movimentação nas áreas consideradas de risco extremo. No Recife, serão instalados ainda no mês de abril cerca de 100 prismas nos locais demarcados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Ambientais (Cemaden). Além dos prismas, a estação total será instalada em cima da caixa d’água da Escola Estadual Lagoa Encantada, no Ibura. “Esse monitoramento por sensores vai nos garantir uma confiabilidade maior ao trabalho que já é feito”, afirmou Elaine Holanda.

Inicialmente, o equipamento de pesquisa experimental vai distinguir as alterações naturais do solo das que implicam risco. Os sensores geotécnicos emitem um sinal infravermelhos para cem prismas – ou sistema de espelhos – instalados sobre pequenos postes de 1,5 metro de altura nas encostas de morros de cada município. O sistema consegue detectar pequenos deslocamentos no solo que podem prever acidentes, e enviam as informações para a estação total. Cada ETR monitora as encostas em 360 graus e consegue registrar não apenas a dimensão dos deslocamentos do solo, mas também a taxa de aceleração. Com esses dados são definidos os limiares de risco e a iminência de um deslizamento, que pode ser classificada de um a quatro, sendo quatro considerado de alto risco e necessário o deslocamento imediato do local. “A nossa expectativa é entrar em funcionamento ainda no primeiro semestre deste ano. Após a implantação, serão realizados ajustes e calibrações” afirmou o coronel Cássio Sinomar, secretário executivo de Defesa Civil do Recife.

Menos de um metro é o que separa o muro da casa de Maria José da Conceição, 49, e a beira da barreira. Durante quase 40 anos ela convive com medo do inverno. A mãe de Conceição tem 81 anos e é deficiente, sua maior preocupação é não conseguir tirá-la de casa a tempo em caso de deslizamento. “Medo a gente tem, só não tem pra onde ir. Não podemos fazer nada”, lamenta a recicladora. Segundo Maria da Conceição, no inverno de 2015 uma mulher morreu soterrada no último deslizamento dessa mesma barreira. A Defesa Civil disponibiliza o telefone 0800 081 3400 para atendimento gratuito à população.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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