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Prêmio Pernambuco de Literatura lança no mercado as cinco obras contempladas

Os cinco autores são pernambucanos estreantes ou em início de carreira. Fotos: Cepe/Divulgação
Os cinco autores são pernambucanos estreantes ou em início de carreira. Fotos: Cepe/Divulgação

Cinco novas obras assinadas por pernambucanos, entre coletâneas de poemas e contos, chegam hoje ao mercado, bem-fadadas com o título de vencedoras da terceira edição do Prêmio Pernambuco de Literatura, cujo resultado foi anunciado em outubro passado. Das 164 obras inscritas no concurso e entre as 18 finalistas, cinco ganham tiragem de mil exemplares – distribuídos entre livrarias e feiras literárias, além de parcela ofertada aos próprios criadores. Êxodo, eleito grande vencedor, se une a Watsu, Caninos amarelados, Manuscritos em grafite e Nós, os bichos no circuito literário local. Entre as temáticas comuns às publicações, está o viés profissional dos autores – do médico neurologista à professora de artes plásticas -, exposto a olhares mais cuidadosos nas entrelinhas dos contos e poemas premiados.

Segundo a secretaria de Cultura do estado, as obras serão destinadas às bibliotecas dos 16 campus IFPE a partir da próxima semana, através do programa Outras Palavras, um dos desdobramentos da iniciativa, assim como os projetos Livros Livres e Escambo de Livros. Com o objetivo de fomentar a leitura no estado e encorajar a produção de escritores estreantes ou em início de carreira, o Prêmio Pernambuco de Literatura – organizado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (Secult-PE), Fundarpe e da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) – encerrou neste mês as inscrições para a 4ª edição. Participam livros inéditos, escritos em língua portuguesa por residentes das quatro macrorregiões de Pernambuco.

WATSU (Cepe, 87 páginas, R$ 30)
José Juva
A OBRA: Coletânea de poemas dividida em duas fases – Molhai os delírios do hipocampo e Visões noturnas da paz aquática -, a publicação tem título inspirado numa espécie de shiatsu aquático experienciado por duas pessoas. Os versos foram escritos entre 2010 e 2015, concluídos no dia anterior à inscrição no prêmio. Visões noturnas da paz aquática reúne, inclusive, poemas de obras anteriores, submetidas ao Prêmio Pernambuco nas duas primeiras edições. “A condução geral do livro, inscrito sob o signo da água, é criar poemas que permaneçam em movimento, uma dinâmica de fluxo, de rio correndo. E pensar e praticar a poesia como um processo de relação, como é o Watsu”, explica Juva.

O AUTOR: “Mamífero, poeta, ensaísta. Visitante do paleolítico e ativista do movimento pelo teletransporte público.” É assim que Juva se define em Watsu.  Jornalista e mestre em Teoria da Literatura, José Juva é recifense e acumula, agora, quatro livros publicados. Deixe a visão chegar: a poética xamânica de Roberto Piva (2012), Vupa (2013) e Breve breu: escritos sobre literatura e cinema (2014) foram os primeiros. “A única expectativa que me permito é o encontro de leitores e leitoras, diálogos. torço para que as águas do livro saibam criar seus caminhos e fluam”, declara o autor, em relação ao futuro como escritor.

NÓS, OS BICHOS (Cepe, 93 páginas, R$ 30)
Luiz Coutinho Dias Filho
A OBRA: Reunião de 12 contos intitulados ora com referências diretas aos bichos, ora com apropriação de nomes científicos de espécies animais, o livro é conduzido por narrativas que traçam paralelos entre humanos e lobos, galos, crocodilos. “Nas fábulas, os bichos exibem traços humanos; as histórias deste livro são o inverso das fábulas”, explica Coutinho. Associações resgatadas da experiência como neurologista estão nos contos, incluindo a morte provocada por aneurisma em um dos personagens. A vingança dos homens pauta Índole vulpina, enquanto a luxúria marca O lobo solitário. “Não procurem características humanas nos bichos. Não estamos neles, são eles que estão em nós”, adverte o autor no prefácio.

O AUTOR: Professor universitário, nerocirurgião e neurologista, Luiz Coutinho Dias Filho é membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Em 2014, estreou no mercado literário com A reconquista do paraíso e outros poemas, depois que a carreira como escritor começou a tomar forma com poema dedicado à esposa, intitulado Hino à minha amada.  “Sempre gostei de ler, mas a rotina como neurocirurgião me levou a deixar a literatura em segundo plano. Agora, pretendo me dedicar a, além de médico, ser escritor”, diz Coutinho. “Tomei como ponto de partida o lado animal em cada um de nós. Há algo das minhas experiências profissionais, sim. É impossível dissociar.”

ÊXODO (Cepe, 71 páginas, R$ 30)
Carlos Gomes
A OBRA: “Êxodo com letra minúscula, seguido de vírgula”, especifica o autor da publicação vencedora do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura. A ideia de continuação e a noção do inacabado são, para ele, caras à obra. Os poemas do livro são todos escritos em minúsculas, com versos livres. “Os vivos, os mortos, de medo, de estrada, de fome”, está escritono sexto canto de Partida, um dos trechos de êxodo,. Iniciado durante a graduação do autor em Letras, o livro explora o gênero épico em único poema dividido em vários cantos. O gênero, pouco explorado na literatura, inspira o autor há anos. “O épico está em clássicos da literatura, como Ilíada e Odisséia, atribuídos a Homero. No Brasil, é mais comum a partir dos anos 1980”, conta Gomes, que concluiu êxodo, em cerca de dois anos. “[O livro] parte do imaginário que existe na literatura e no cinema sobre o Sertão. Como sou da cidade, o êxodo representa todos que migraram do sertão para a cidade, do ponto de vista de quem está nela.”

O AUTOR: Escritor e pesquisador de música popular e crítica cultural, Carlos Gomes chegou a publicar virtualmente o livro Corto por um atalho em terras estrangeiras, disponível na internet. êxodo, é sua primeira obra publicada. “Não tenho expectativas a longo prazo. Além de fornecer a premiação e o proporcionar a publicação, o prêmio insere os vencedores em ações literárias, como festivais, debates e oficinas. Isso me levará a lugares onde normalmente eu não estou. Considero essa a parte mais importante”, opina o autor, cuja pretensão é seguir carreira literária em paralelo à de professor.

MANUSCRITOS EM GRAFITE (Cepe, 138 páginas, R)
Rejane Paschoal
A OBRA: Os 15 contos reunidos no livro tratam dos sentimentos e da essência humana, narrados em primeira pessoa. A memória e a morte rondam as narrativas e são prenunciados na dedicatória da obra, oferecida à avó da autora, in memorian. As cenas são retratadas com igual medida de precisão e poesia, resquícios da atividade de Rejane como professora de artes plásticas, exercida por 26 anos. “Penso que um homem só morre inteiro depois que o menino que ele foi se vai”, diz uma das passagens. Inclusive girassóis, o primeiro conto da coletânea, remete à obra de Van Gogh, enquanto Casal sobre fundo azul faz referência a Marc Chagall.

A AUTORA: Formada em Direito e em Educação Artística, Rejane Paschoal ingressou no ramo com o juvenil  Histórias do encantarerê e recebeu menção honrosa no 1º Prêmio Pernambuco de Literatura com Memórias para o livro de Nina, ainda inédito. “Meu encontro com a literatura foi maravilhoso, pretendo continuar a produzir. Nóss escrevemos para nós mesmos e para os outros. É importante perceber que outras pessoas apreciaram o que nós produzimos. Premiações incentivam a persistir.” Segundo a autora, o acervo de memórias e imagens adquirido no contato com as artes plásticas deve ser transformado em palavras nos próximos anos.

CANINOS AMARELADOS (Cepe, 106 páginas, R$ 30)
Mario Filipe Cavalcanti
A OBRA: “O antagonismo entre tudo e nada se destrói numa verdadeira fusão. A nadificação dos costumes e construtos sociais se eleva diante do pulsar que existe por trás de cada indivíduo humano”, antecipa o autor sobre a reunião de contos. Mais extensas do que as narrativas reunidas nas outras quatro obras premiadas, as de Mario Filipe deixam entrever sua carreira como jurista. “O sentido comum de fome (de alimento) é amplificado para o sentido de fome (vontade). Os contos têm subtemas diversos, mas há essa ligação entre eles, um viés existencial. O que é o ser humano por trás das máscaras, das personas que criamos?”, questiona o autor, sintetizando o fio condutor dos textos.

O AUTOR: Advogado, Mario Filipe Cavalcanti estreou na literatura com Comédia de enganos (semifinalista do Prêmio Sesc de Literatura 2014). Publicou, ainda, O circo (2015) e Morte e vida e outros contos (no prelo). “Leitor voraz e pianista retraído”, ele se define. O escritor estima em nove o número de livros já concluídos e revisados, cuja publicação deve ocorrer nos próximos anos, agora incentivada pela premiação. Não me considero escritor profissional. A escrita é arte. A publicação é o meio que envolve o mercado para divulgação das obras. Escrevo, desde pequeno, coisas voltadas para a filosofia. Tento imprimir minha bagagem no direito e, ainda, minha inclinação à música, que estudei por alguns anos, e à arte em geral”, resume Mario.

SERVIÇO

Prêmio Pernambuco de Literatura
Quando: 31 de março, às 19h
Onde: Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960 – Graças)
Quanto: Entrada gratuita
Informações: (81) 3184 5171 e (81) 31845178

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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