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Relatórios de Ministério dizem que pílula da USP não é eficaz contra câncer

Os cinco primeiros relatórios das pesquisas financiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para avaliar a segurança e eficácia da fosfoetanolamina indicam que a molécula não age contra o câncer. Além disso, nas análises, as “pílulas da USP”, fabricadas por  Salvador Claro Neto da USP (Universidade de São Paulo) São Carlos, possuem composição irregular, com um máximo de 32,2% de fosfoetanolamina.  No total, o MCTI vai investir, em três anos, R$ 10 milhões nesses estudos.

Entre os vários sais que compunham as cápsulas analisadas, apenas a monoetanolamina apresentou alguma atividade citotóxica e antiproliferativa (ou seja, tóxica, que podem destruir as células cancerosas ou que evitasse que sua proliferação) sobre células humanas de carcinoma de pâncreas e melanoma in vitro estudadas. Mas mesmo assim, sua eficácia é menor do que a de quimioterápicos comuns. Essa pode ser a razão de a pílula apresentar uma mínima ação contra o câncer. Entretanto, o composto já foi apontado como tóxico quando ingerido em grande escala.

“Estudo encomendado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia sobre a fosfoetanolamina em dois tipos de células tumorais e usando três métodos diferentes comprova que o composto não tem efeito nenhum, nem mesmo em concentrações milhares de vezes maiores do que as que seriam possíveis se usar clinicamente”, disse a pesquisadora do Instituto de Química da USP, Alicia Kowaltowski.

A informação é relevante e deverá ser usada na análise do Senado sobre a aprovação de uso da cápsula. Na última quinta-feira (17), a Comissão de Assuntos Sociais da Casa aprovou o projeto de lei da Câmara dos Deputados que trata o assunto, mas destacou que ele só valeria enquanto não houvesse estudos para atestar sua segurança e eficácia. O projeto vai agora para votação no plenário do Senado.

Como foram os estudos

Foi mobilizado um grupo de pesquisadores para avaliar a segurança e eficácia da fosfoetanolamina produzida na USP São Carlos por meio de análise química, pré-clínica e clínica (fase I). Nesta primeira etapa foram testadas a composição da cápsula e a ação de seus componentes individualmente em amostras de células humanas de carcinoma de pâncreas e melanoma in vitro. Foram empregadas três diferentes metodologias para avaliar a possível ação antitumoral com cada uma das maiores substâncias encontradas: fosfoetanolamina, monoetanolamina e fosfobisetanolamina.

Além de identificarem que o composto não é puro (ou com 95% de fosfoetanolamina como diziam os pesquisadores) e que só um composto tem pequena ação contra as células do câncer, (mesmo quando usados em “superdosagem”), os estudos não apontaram nenhuma toxicidade das cápsulas. 

A conclusão de um dos estudos destaca: “uma molécula não citotóxica ou citotóxica em altas concentrações pode apresentar, conforme evidenciam os trabalhos publicados com a fosfoetanolamina, potencial antitumoral in vivo, possivelmente por depender de rotas metabólicas para desencadear sua ação. Com isso, sugerimos que testes adicionais in vivo sejam realizados para verificação de atividade antineoplásica da fosfoetanolamina”.

Os próximos passos são estudos com carcinoma de pulmão e células saudáveis, além de testes com camundongos.

Vale lembrar que os estudos publicados pelo grupo de São Carlos indicam que a fosfoetanolamina em altas concentrações apresentou redução na viabilidade celular (morte celular) para diferentes células tumorais humanas de leucemia linfoide, de leucemia mieloide, de câncer de mama, de carcinoma de pulmão e de melanoma.

Os primeiros estudos realizados para o MCTI para a caracterização e síntese da fosfoetanolamina foram realizados pelo Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASSBio/UFRJ) em parceria com o Laboratório de Química Orgânica Sintética do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas. Já os estudos pré-clínicos estão sendo realizados pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC) e pelo Centro de Inovação de Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP).

Fonte: Bol.com.br

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