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Sem biografia, musical "Aquele Abraço" foca nas músicas de Gilberto Gil

Depois de misturar duas paixões nacionais no musical “Samba Futebol Clube”, Gustavo Gasparani, que levou recentemente o prêmio APCA de melhor ator por “Ricardo III”, resolveu sintonizar seu palco em um artista do qual é fã desde menino: Gilberto Gil.

O músico baiano de 73 anos, criador da Tropicália ao lado de Caetano Veloso, é o foco de “Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical”, em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo.

Gilberto Gil, que se encontrou com o elenco, mas ainda não viu a obra, confessa ter ficado encabulado quando soube da homenagem teatral. Ao UOL, ele fala sobre sua expectativa em relação à montagem: “Desejo a todo o elenco e a todos os realizadores do musical o melhor desempenho e o maior sucesso”.

Rogerio Cassimiro/UOL

Gilberto Gil, o homenageado do musical “Aquele Abraço”

Para o baiano, ser celebrado em cena é algo que lhe dá satisfação, apesar da timidez confessa. Para ele, quem ganha é a arte. “Me sinto lisonjeado com o projeto, mais um entre tantos do gênero que surgem hoje entre nós. Bom para a música, bom para o teatro de variedades. Parabéns”, diz.

Assinando direção e dramaturgia da obra, Gasparani, cuja música predileta de Gil é “A Linha e o Linho”, diz que sua formação é “MPB na veia”. Ele define a obra de seu ídolo como “sensível, romântica, de um amor profundo”. E conta que, nos últimos seis meses, debruçou-se sobre o cancioneiro de Gil, descobrindo novas nuances naquela poesia musical.

As redescobertas ganharam o palco, em uma dramaturgia mais solta, feita de quadros. Em vez de contar a biografia de Gil, o musical é um compilado de 55 canções emblemáticas de sua trajetória, misturadas a textos ditos pelos músicos-atores Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima e Rodrigo Lima, que além de cantar tocam 39 diferentes instrumentos em cena.

A peça discute grandes temas da obra de Gil e coloca em cena até mesmo a liberdade sexual, com direito a um beijo apaixonado entre dois atores, aplaudido pela plateia na sessão vista pelo UOL.

Sem biografia

Foi desejo do próprio Gil que o musical em homenagem a seus 50 anos de carreira não fosse biográfico. A negociação foi feita entre Flora Gil, mulher e empresária do artista, e Sandro Chaim, produtor do espetáculo. Foi este quem convidou Gasparani para dirigir a montagem.

O diretor prefere enxergar a peça “como uma exposição dividida em 11 quadros”. O tripé “o poeta, a canção e o tempo” foi condutor do processo criativo, revela Gasparini, para quem a obra de Gil “dialoga com os dias atuais, com as histórias dos próprios atores, com o país”.

Para ele, o mais forte em Gil “é sua relação com o tempo”, e a poesia “delicada e profunda”, acrescida de uma “diversidade rítmica. “Gil, através da música, discute o mundo em que vivemos de forma exemplar e apontando para inúmeros temas, sempre com extrema profundidade e comprometimento. É um filósofo da canção brasileira”, define.

Pedro Rothe, assistente de direção, revela que o objetivo foi “tirar a teatralidade das canções” com uma visita “às relações dos atores com a obra do Gil”. “O espetáculo é um mosaico, é uma instalação, uma exibição de quadros da obra do Gil”, define.

Semelhança com Gil e reação do público

Um dos dois atores negros entre os oito do elenco e o mais parecido com Gil, Alan Rocha sempre é associado pela plateia à própria figura do cantor baiano. “Eu sou o mais parecido, mas a proposta é que todos sejamos o Gil, inclusive quem está assistindo”, explica o ator, que na infância aprendeu a tocar “Palco” no violão.

Ele, que já conheceu Gil pessoalmente, revela que sonha agora em ver o músico na plateia. “Ele viria na estreia, mas choveu no Rio e o voo não chegou a tempo. A Nara e o Bem, filhos dele, já vieram e disseram que o pai vai gostar. Estamos ansiosos para que ele venha”, diz. 

Se Gil ainda não conferiu o espetáculo, o público parece já ter embarcado na onda proposta pelo musical. Na plateia, o coordenador Sandro Veloso, “fã do estilo do Gil”, diz ao fim que “aprovou o espetáculo ter focado nas músicas”. Ao que a técnica dos Correios Marlene Haro emenda: “Entendi que fossem contar a história do Gilberto Gil, mas foi totalmente diferente e eu gostei até mais”. Ela aproveita para elogiar o ator Jonas Hammar: “Ele toca todos os tipos de instrumento. Fiquei impressionada. É maravilhoso”.

No corredor do teatro, a aposentada Elisa Fernandes, que “ama de paixão o Gil”, também parece feliz. “Achei fabuloso, sobretudo porque tocou ‘Aquele Abraço’, que eu acho linda”, conta, sorrindo. 

O radialista goiano Renato Gonçalves Teles, de visita à cidade de São Paulo, diz que resolveu ver a peça porque “o Gil tem uma ligação metafísica com as coisas, com o que é o Brasil”. Em sua visão, “o espetáculo mistura elementos audiovisuais, é pra cima e alegre”.

Sua mãe, a professora Valéria Gonçalves, é chamada à conversa: “Gil não é um cantor que você passa a gostar. Ele faz parte da nossa história. É um dos nomes mais versáteis que o Brasil tem. Ele falou e fala. Tudo o que ele disse no passado está acontecendo aí, agora. Gil é história”.

Serviço:

“Gilberto Gil, Aquele Abraço  – O Musical”
Quando:
qui. e sex., às 21h; sáb., às 18h e às 21h30; dom., às 18h. 150 min. Até 15/5/2016
Onde: Teatro Procópio Ferreira (rua Augusta, 2.823 – Jardins, São Paulo)
Quanto: R$ 50 a R$ 120
Informações: 0/xx/11/3083-4475
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 12 anos

Fonte: Bol.com.br

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