Sobrado na Estrada do Encanamento pode integrar lista de edificações especiais do Recife

A demolição do muro do chalé Vila Olinda, no Parnamirim, reacendeu a discussão sobre a preservação de imóveis antigos no Recife. Somente nos últimos três anos, 104 edificações foram salvas pelo sistema de imóveis especiais de preservação (IEPs), instituído em 1997 pela Prefeitura do Recife. Ao todo, 260 endereços já foram incluídos na lista.
Após a polêmica causada pelas obras no chalé, situado na Estrada do Encanamento, a vereadora Isabela de Roldão (PDT) informou que está reunindo subsídios técnicos para entrar com um pedido de proteção ao casarão, de número 742, para que ele se torne o 261º IEP. “A questão será averiguada para evitar uma demolição às escondidas”, afirmou.
O chalé datado de 1910 está desabitado há cerca de 15 anos. Atualmente, passa por processo de regularização de dívidas e propriedade para que se dê seguimento ao inventário. Este é o único exemplar arquitetônico do tipo na Estrada do Encanamento.
O muro foi derrubado na sexta-feira. Várias pessoas que passavam pelo local postaram imagens na internet, temendo uma possível demolição. Uma queixa chegou a ser protocolada na Diretoria de Controle Urbano (Dircon) do município, em Casa Amarela.
De acordo com a proprietária Patrícia de Souza Leão, o muro foi derrubado por intimação da prefeitura, mas não há intenção de demolir o imóvel. “Disseram que avançava pela calçada e precisariam desse pedaço de quase um metro. Mas o muro tem mais de 50 anos e nunca houve problema com ele”, disse Patrícia.
Vizinhos contaram que muitas pessoas vão ao local com interesse de alugar ou comprar. A última atividade do Vila Olinda foi comercial, quando funcionou um escritório de advocacia. Uma construção anexa ao chalé foi feita para abrigar o escritório. O terreno do imóvel tem cerca de dois mil metros quadrados.
Após a fiscalização da 3ª Gerência Regional da Dircon, a Secretaria Executiva de Controle Urbano (Secon) enviou uma nota informando que ficou constatada a inexistência da demolição do imóvel. Confirmou-se, apenas, que o muro ruiu. A fiscalização vai monitorar a área para evitar possíveis irregularidades.
Para se tornar um IEP, o imóvel precisa passar por uma avaliação técnica da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, independentemente do interesse do proprietário. Entre os pontos a serem observados, está a constatação de que o imóvel é um exemplar isolado para o município, a relevância de suas características arquitetônicas (época e estilo), a significância para o patrimônio histórico, artístico e/ou cultural para o Recife e a importância para a preservação da memória urbana.
Os colegiados da Comissão de Controle Urbano e do Conselho de Desenvolvimento Urbano são responsáveis por deliberar sobre a classificação do imóvel como um IEP. Caso seja incluído na lista, qualquer reforma estrutural só pode ser feita com autorização da prefeitura.
Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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