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Suposto serial killer pega 20 anos pela morte de auxiliar administrativa

Júri popular condenou vigilante pelo homicídio de Juliana Neubia. Ele já tinha sido condenado pela morte de Ana Karla, de 15 anos, em Goiás.

O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 28 anos, foi condenado a 20 anos de prisão pela morte da auxiliar administrativa Juliana Neubia Dias, de 22 anos, assassinada em julho de 2014. Tanto a defesa quanto a acusação já recorreram. Apontado como serial killer, ele é acusado de matar mais de 30 pessoas. O júri popular, realizado durante a manhã desta quarta-feira (2), no 2º Tribunal do Júri, no Setor Oeste, em Goiânia, acatou a tese apresentada pelo promotor de Justiça Maurício Gonçalves de Camargos, de que o vigilante cometeu homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Esse foi o segundo júri popular enfrentado por Tiago Henrique. No último dia 16, ele foi condenado a 20 anos de prisão pela morte da estudante Ana Karla Lemes da Silva, de 15 anos. Veja como foi o julgamento. Desta vez, sete jurados, sendo quatro homens e três mulheres analisaram as teses apresentadas pela acusação e a defesa e, em seguida, julgaram nove quesitos. Em sentença lida pelo presidente da sessão, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara, eles concluíram que o vigilante é culpado pela morte de Juliana. Para o magistrado, o julgamento ocorreu da “melhor forma possível”, sem nenhum incidente. Apesar de a pena ter sido equivalente a da última condenação, ele acredita que haverá variações nas senteças. “Há casos em que o Tribunal de Justiça tirou uma qualificadora. Então, naturalmente, a pena pode ser alterada”, disse Alcântara aoG1. Logo após a leitura da sentença, o promotor de Justiça destacou que a pena não foi suficiente e já apresentou um recurso. “Tiago é um caso especial. Por tudo o que ele fez a pena tinha que se aproximar da máxima. Se ele é o máximo da maldade, a pena também tem que se aproximar da máxima”, disse Maurício Camargos ao G1. O advogado Herick Pereira de Souza, que defende o vigilante juntamente com o advogado Victor Luiza Couto Carneiro, também defende que discorda da pena e recorreu. “O julgamento é contrário às provas que existem nos autos”, afirmou. Durante o julgamento, Tiago Henrique ficou a maior parte do tempo de cabeça baixa. O vigilante fez só duas declarações no interrogatório. Ao ser questionado se estava na cena do crime, ele disse: “Não sou eu quem está sendo julgado, são vocês”. Depois, apenas declarou: “Já sei o final da história”. Apesar da insistência do magistrado, ele não explicou as falas e não respondeu mais.

Juliana Neubia Dias, 22 anos, assassinada em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Juliana Neubia Dias, 22 anos, foi assassinada em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Saudade A mãe e a irmã de Juliana, que moram em Itapaci, na região central de Goiás, estiveram presentes no Fórum para assistir ao julgamento de Tiago Henrique. Muito abalada, a dona de casa Nilta Maria de Jesus, de 57 anos, se limitou a dizer que a “saudade é demais” da filha. A irmã mais velha de Juliana, Mirian Aparecida Guiar Silva, de 26 anos, conta que todos sentem muita falta da jovem. Ela destacou que, apesar da condenação,  “nada vai trazê-la de volta”. Juliana considera injusto o fato de Tiago ficar, no máximo, apenas 30 anos detido. “Nem parece que é justiça, porque não vai ficar preso o tempo que deveria ficar. Ele tinha que ficar preso até o fim da vida, mas não vai. É revoltante”, lamentou a jovem. Namorado de Juliana na época do homicídio, o comerciante Mauro Stone, de 28 anos, também compareceu ao julgamento. Ele foi a única testemunha a depor, pois estava no momento do crime com a auxiliar administrativa. O comerciante declarou que só guarda boas lembranças da jovem. “Ela era uma pessoa muito carinhosa, responsável no serviço, nos estudos. Pessoa com integridade, com um caráter indiscutível”, declarou.

Crime Juliana foi morta a tiros no dia 26 de julho de 2014. Ela trabalhava como auxiliar administrativa e cursava contabilidade. Segundo a família, o crime ocorreu quando a jovem, o namorado e um amiga estavam indo a um bar do Setor Marista para comemorar o aniversário de Juliana, que tinha sido há dois dias. Ela foi alvejada dentro de um carro que estava parado em um semáforo na Avenida D, no Setor Oeste, em Goiânia. O namorado da vítima contou à Polícia Civil e durante o julgamento que uma pessoa parou ao lado do carro e efetuou dois disparos. A auxiliar administrativa foi atingida por um tiro no pescoço e outro, no tórax.

Namorado da vítima, comerciante Mauro Stone, de 28 anos, depõe em segundo julgamento de juri popular do suposto serial killer Tiago Henrique Gomes da Costa Goiânia Goiás (Foto: Murillo Velasco/G1)
Namorado da vítima, comerciante Mauro Stone foi a única testemunha a depor (Foto: Murillo Velasco/G1)

“Ouvi o barulho do tiro, vi o vidro estilhaçado e, quando olhei para o lado, ela já estava desacordada. Vi uma pessoa do lado, em pé, com capacete, gesticulando. Em um prazo de dez segundos ele deu três passos para trás. Foi quando eu gritei para a amiga dela, que estava no banco traseiro, para que ela se abaixasse a cabeça”, relatou o comerciante. A amiga de Juliana que também estava no veículo foi atingida com o tiro no rosto, mas sobreviveu. O exame de balística confirmou que arma apreendida na casa do acusado foi a mesma utilizada no crime. Série de assassinatos Tiago Henrique está preso desde 14 de outubro de 2014. Laudo divulgado pela Junta Médica do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás aponta o vigilante como psicopata, mas imputável, ou seja, plenamente capaz de responder pelos seus atos.

Ao todo, há 31 acusações contra o vigilante, sendo que uma delas se trata de um duplo homicídio. Os crimes ocorreram na capital e em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o vigilante como o responsável pela morte de Diego Martins Mendes, em 9 de março de 2011. No entanto, o processo ainda não foi avaliado pelo Judiciário. O vigilante havia sido indiciado por mais dois homicídios. Segundo a assessoria do TJ-GO,  eles chegaram a ser remetidos ao Judiciário, mas voltaram para a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios para novas apurações. Portanto, ele voltou a ser suspeito nestes crimes. A assessoria da Polícia Civil não informou até a publicação desta reportagem se o vigilante é investigado por outros crimes. Tiago Henrique ainda chegou a ser indiciado pelo homicídio de João Carlos de Oliveira, ocorrido em 28 de setembro de 2012. No entanto, o MP-GO pediu o arquivamento do processo por falta de provas, o que foi acatado pela Justiça.

Tiago Henrique fica de cabeça baixa enquanto acusação apresenta sua tese, em Goiânia, Goiás (Foto: Paula Resende/G1)
Tiago ficou de cabeça baixa e escondendo o rosto a maior parte do tempo (Foto: Paula Resende/G1)

Outras condenações Há 15 dias, Tiago Henrique enfrentou seu primeiro júri popular. Na ocasião, ele foi condenado a 20 anos de prisão pela morte da estudante Ana Karla Lemes da Silva, de 15 anos, em dezembro de 2013. Acusação e defesa já recorreram da decisão, mas não há prazo para que os recursos sejam analisados pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Tiago Henrique também já foi condenado por assaltar duas vezes uma lotérica, em Goiânia. Por este crime, ele pegou 12 anos e 4 meses de prisão. O vigilante ainda possui uma condenação a 3 anos de prisão em regime aberto e ao pagamento de multa pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. Neste caso, a pena foi revertida por prestação de serviços à comunidade e pagamento de R$ 788.

Suposto serial killer, vigilante Tiago da Rocha é transferido para a CPP, em Aparecida de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Tiago Henrique está preso desde outubro de 2014 (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

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