Tribuna SBTpedia: A (ausência de) cobertura eleitoral no SBT, por Gabriel Reis

A (ausência de) cobertura eleitoral no SBT

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com) 

Poucos sabem, mas o primeiro debate eleitoral ocorrido na televisão brasileira aconteceu no SBT, em 1982, dentro do Programa Ferreira Neto. Na época, os brasileiros votavam pela primeira vez para governador após a abertura política ocorrida em 1979. Franco Montoro (PMDB) e Reynaldo de Barros (PDS) disputavam o governo paulista e debateram no SBT.

O tão famoso pioneirismo da Band, se deu com o primeiro debate entre presidenciáveis ocorrido em 1989. Mas a fama da emissora de Johnny Saad tem explicação. A Band tem um trabalho sólido em jornalismo e em cobertura eleitoral que perdura até os dias de hoje. Tem como hábito, por exemplo, ser primeira a realizar um debate entre os candidatos, seja em que eleição for: municipal, estadual ou nacional. Abre a jornada de debates tanto no primeiro, como no segundo turno. Esse trabalho a longo prazo é algo que o SBT perdeu com o tempo, juntamente com a cobertura jornalística, que após 1997, só veio a renascer em 2005.

No entanto, apesar do renascimento em 2005 com o SBT Brasil, a contratação de Ana Paula Padrão e, posteriormente, a vinda de outros nomes como Carlos Nascimento, Rodolpho Gamberini e Roberto Cabrini, a cobertura eleitoral do SBT permanece muito aquém das outras televisões abertas, até mesmo de redes menores, como a RedeTV!.

Em 2006, mesmo com o jornalismo do SBT voltando a caminhar, a cobertura foi tímida. Se restringiu a entrevistas dos presidenciáveis no SBT Brasil e a apenas um debate entre Lula e Geraldo Alckmin, no segundo turno, exibido às 21h10, tomando o lugar do SBT Brasil naquele dia. A cobertura da apuração ficou restritas a pequenos boletins e a um especial no final do domingo. Quase nulo, se compararmos as amplas coberturas que vemos hoje em Band, Globo e RedeTV.

Em 2008 sequer tivemos a realização de um debate, assim como em 2010. Serra e Dilma se encontraram em todas as grandes tevês abertas do país, menos no SBT. Em 2012, apenas São Paulo realizou debate e somente no segundo turno, sendo exibido às 18 horas, horário de baixa visibilidade e dentro da faixa local da rede. Em 2014, foram dois debates presidenciais, também ocorridos na faixa das 18h00. Não houve encontro para os governadores de Estado.

 Dilma Rousseff e Aécio Neves no debate realizado pelo SBT no segundo turno das eleições presidenciais de 2014

O que causa estranheza é uma emissora que busca cada vez mais aumentar a credibilidade (e consequentemente o faturamento) de seu jornalismo fazer uma cobertura tão tímida do processo eleitoral.

Globo, Record, Band e RedeTV! sempre realizam encontros no primeiro e no segundo turno nos principais municípios do país, nos estados mais populosos e para Presidência da República. Todos os debates são exibidos em faixas nobres: ou aos domingos ou após a exibição da “novela das 8” global. Também fazem intensa cobertura eleitoral no dia da apuração, com destaque para a Globo, que encomenda ao IBOPE as pesquisas de boca de urna.

É válido destacar que apesar de muitos debates sofrerem na audiência pelo excesso de candidatos, regras “engessadas” ou eleições “frias”, em um cenário de confronto direto entre dois candidatos e em uma eleição acirrada, a audiência responde. Mesmo fora da Globo, onde os debates sempre são líderes de audiência, há grandes índices de audiência a serem destacados: o debate entre Dilma e Aécio na Band em 2014 marcou 11 pontos de média, com pico de 14, liderando durante dois terços de sua exibição; na Record o índice foi de 12 pontos, liderando durante parte de sua exibição e fechando a apenas quatro pontos da Globo na média geral (mesmo enfrentando o Fantástico a maior parte do tempo); no SBT, o debate foi o mais acirrado de toda a campanha eleitoral, mas pelo horário com menor exposição e pela falta de tradição, o IBOPE fechou em 9 pontos. Apesar disso, é válido ressaltar que o SBT fechou na vice-liderança no horário enfrentando duas atrações jornalísticas consolidadas: Brasil Urgente e Cidade Alerta; e 9 pontos para os produtos jornalísticos do SBT é um grande índice. Para efeito de comparação, no domingo, dia 6 de março, o Conexão Repórter fechou com 6 pontos de média; e na quinta-feira, dia 10 de março, o SBT Brasil marcou 5,9.

O SBT possui importantes jornalistas em seus quadros, como: Joseval Peixoto, Carlos Nascimento, Roberto Cabrini e Hermano Henning. Hoje, possui um público mais consolidado no jornalismo e uma das maiores estruturas de produção da América Latina (a Cidade da Televisão da Anhanguera). Aliado a esse ponto, o país vive um dos maiores momentos de tensão política desde a implantação da Nova República, com o público naturalmente mais ávido por informação. Entregar esse conteúdo ao público é obrigação da emissora e pode ser uma bela oportunidade de ganhos de audiência e faturamento.

*É graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pela TV Boas Novas e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no “SBTpedia”

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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