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Tribuna SBTpedia: O público infantil e a 'TV que tem torcida', por Gabriel Reis

O público infantil e a ‘TV que tem torcida’

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com) 


“O SBT não vai deixar de exibir desenhos animados, não. Não me interessa se estou perdendo dinheiro [nas manhãs] porque [para mim] exibir desenhos é uma obrigação para com as crianças. O SBT não está aqui só para fazer dinheiro, tem outras coisas [envolvidas]. Se quiserem tirar os desenhos da grade depois que eu morrer, fiquem à vontade, mas enquanto eu estiver vivo eles vão continuar. O telespectador do ‘SBT Brasil’ de hoje era o telespectador do ‘Chaves’ 20 anos atrás. A criança é a mais fiel dos telespectadores”.


E é essa fidelidade do telespectador com a emissora que foi o principal componente da nova campanha institucional da emissora: “SBT – A TV que tem torcida”.

Nova campanha da emissora: “SBT – A TV que tem torcida”

Além dos incríveis números de audiência já citados pelo SBT no lançamento da campanha (vice-liderança nacional; 3 bilhões de visualizações no YouTube em 2015; 40 milhões de fãs em páginas oficiais no Facebook; dentre outros) é importante destacar a construção de uma memória afetiva da emissora junto ao telespectador desde a infância. E é justamente esse o principal ponto da frase que Silvio Santos disse acima. 


Bozo, Show Maravilha, Eliana (no Bom Dia e Cia.), Angélica (no Passa ou Repassa), Chaves, Chapolin, Carrossel, Chiquititas, Carinha de Anjo, Rebelde, etc. São inúmeras as atrações infanto-juvenis que se tornaram sucessos nacionais na emissora. 


Todas essas atrações fizeram do SBT, como marca, ser uma memória viva na mente de milhões de telespectadores. Muitas atrações, que a princípio podem parecer segmentadas, tem “audiência de gente grande”: Chaves tem dentre suas “vítimas”: de Ana Maria Braga até jogos da Copa do Mundo, e no dia seguinte a morte de Roberto Bolaños ficou 8 horas seguidas em primeiro lugar com uma maratona de episódios. O É de Casa, da TV Globo, que surgiu em substituição a uma atração infantil da emissora (a TV Globinho), tem dificuldades de audiência até hoje: no último dia 12, a atração da Globo voltou a perder no confronto direto para o Sábado Animado (7.2 a 6.6). O próprio público de Carrossel é bem mais diversificado do que se pode pensar a princípio. Segundo o plano comercial divulgado pelo próprio SBT e baseado em dados do IBOPE que abrangem todo o Painel Nacional de Televisão (e não apenas São Paulo), 40% da audiência da novela é formada por pessoas que têm pelo menos 35 anos de idade contra 38% daqueles que tem até 17 anos (os outros 22% estão na faixa entre 18 e 34 anos).

Na foto estão a professora Helena (Rosanne Mulholland) e os alunos da Escola Mundial. Em levantamento feito pelo IBOPE em agosto de 2015 em todo o Painel Nacional de Televisão, o público de Carrossel é bastante diversificado: 40% tem pelo menos 35 anos de idade; 38% tem até 17 anos de idade; e 22% estão entre 18 e 34 anos de idade.
O próprio sucesso de Carrossel prova que, quando bem feitas, atrações infantojuvenis, além de serem assistidas por toda a família, também são trunfos comerciais e geram receita. Em reportagem de 21 de outubro de 2012, publicada na Folha de S. Paulo e reproduzida no SBTpedia, mostra que, somente até aquele momento, a previsão de faturamento do SBT com a novela era de R$ 100 milhões, e já haviam mais de 100 produtos licenciados e 120 mil CDs vendidos; além é claro da audiência da novela, que naquele momento chegava a 18 pontos.

O público que é formado na infância pode voltar a emissora mais tarde (assistindo novas atrações ou reassistindo antigas) ou até permanecer com ela, se bem trabalhado. As ações cerceativas do governo e do CONAR contra a publicidade infantil e a ausência dela na Globo não podem servir com uma falsa cortina de fumaça contra os produtos infantojuvenis. O SBT é a prova desse sucesso.  

*É graduado em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pela TV Boas Novas e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no “SBTpedia”

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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