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Via Sacra em Limoeiro reúne fiés e relembra passos de Jesus

A caminhada se iniciou às 4h da madrugada. Foto: Luis Francisco Prates/Esp. DP
A caminhada se iniciou às 4h da madrugada. Foto: Luis Francisco Prates/Esp. DP

Em 1979, 16 moradores da Rua Frei Estêvão, em Limoeiro, Agreste pernambucano, decidiram subir ao Morro do Redentor, ponto mais alto do município, na Sexta-Feira Santa. A caminhada se iniciou às 4h da madrugada e era parte do rito da Via Sacra. Em 15 estações, a Igreja Católica relembra e medita sobre a agonia pela qual Jesus Cristo passou até ser crucificado e morto. E, no final das contas, celebra o acontecimento que dá sentido à sua tradição: a ressurreição. A caminhada foi crescendo e hoje, 37 anos depois, reúne muitos  limoeirenses.

O ponto de partida é a Igreja Santo Antônio, no centro da cidade. “A senhora Maria José Bezerra e o senhor Geraldo Miguel idealizaram junto com toda a comunidade essa caminhada. No começo, a gente subia a escadaria. Depois, passamos a sair da casa de Dona Maria. Com o crescimento, resolvemos sair da Igreja de Santo Antônio. Amigos e voluntários passaram a confeccionar lanternas”, revela uma das organizadoras da caminhada, Aldinete Ferreira, de 66 anos.

Também houve mudanças na organização durante todo esse tempo. “Por problemas de saúde, Maria José Bezerra se afastou. Geraldo Miguel assumiu a organização por oito anos. Depois, passou para Dona Terezinha. Quando ela trocou de endereço, eu passei a responder pela caminhada”, esclarece. “Até hoje seguimos os passos de Jesus, e espero que a gente continue firme e forte nessa jornada. Desde o crescimento, recebemos de cinco mil a sete mil pessoas”, conclui a religiosa, integrante da Pia União de Santo Antônio.

A caminhada quilométrica percorre inúmeras ladeiras e dura aproximadamente duas horas. Ao longo do trajeto são encontradas 15 cruzes, uma para cada estação da Via Sacra. Durante a procissão, através de músicas e orações, os fiéis relacionam as dificuldades enfrentadas por Jesus às injustiças sociais. Também é relembrado o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, “Casa Comum, nossa responsabilidade”, que remonta ao meio ambiente.

O pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação, padre Marcos Henrique Pontes, descreve o trajeto como uma grande reflexão sobre os passos dados por Jesus antes de sofrer na cruz. “No relato da paixão e morte de Cristo encontramos o verdadeiro sentido de todo o sofrimento. Ele morreu para nos salvar, conforme as Escrituras, e divulgamos sua história através da reflexão, da oração e do jejum”, sublinha. “Somos um povo em marcha para a vida eterna”, conclui.

Um dos responsáveis por guiar os peregrinos até o Redentor, através de um carro de som, o professor Vinícius Emanuel, de 28 anos, mostra-se entusiasmado com a devoção do povo. “A procissão sempre leva muita gente. A devoção é grande. A gente traz o sofrimento de Jesus para nós, como sofrimento do nosso dia-a-dia”, destaca. Vinícius conta, ainda, que sua paixão pela caminhada foi repassada por sua família: “Desde pequeno eu admirava essa procissão”.

A admiração pela mística em torno da história de Jesus Cristo é reforçada pela universitária Andressa Barbosa, de 19 anos. “Me senti renovada ao participar da Via Sacra e demonstrar minha fé e minha gratidão a Jesus. Acho que é o mínimo que podemos fazer diante do enorme gesto de amor que ele fez por nós”, declara a estudante de Letras.

Carlos André, de 29 anos, destaca o momento de união entre os católicos. “Somos todos irmãos e estamos aqui para relembrar o momento em que Cristo deu sua vida por nós e seu amor por cada um de nós. Estamos em comunhão”, diz o funcionário de um supermercado da cidade.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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