Vice corintiano ganha R$ 13 mil na Câmara e doou para campanha de Andres

  • Marisa Cauduro/ Folhapress

    André Luiz de Oliveira, o André Negão, depôs hoje na PF

    André Luiz de Oliveira, o André Negão, depôs hoje na PF

Detido durante algumas horas (e depois liberado) para depor na 26ª fase da operação Lava-Jato acusado de levar propina relacionada à Arena Corinthians, o vice-presidente do clube André Luiz De Oliveira, o André Negão, ganha R$ 12.940 mil no gabinete do deputado federal Andres Sanchez, seu padrinho político. Antes, fizera doações para a campanha do parlamentar. Esses fatos mostram a estreita relação dele com o homem-forte do Corinthians: ambos cresceram juntos até chegar à cúpula do clube.

Em sua origem, André era considerado membro do baixo-clero do clube, com ligação com o ex-presidente Nesi Curi como Andres. Sua inclusão na política era contestada pelo passado assumido de bicheiro e de episódios controversos: chegou a admitir ter levado sete tiros sem saber o porquê.

Com Andrés no poder, passou a ter grande poder sobre a divisão de base do clube. Foi nas categorias interiores corintianas, aliás, que jogava seu filho André Vinícius. De lá, o garoto ascendeu ao profissional e, apesar de nunca ter vingado entre os titulares, ganhava salário de R$ 40 mil até ter seu vínculo rompido aos 24 anos.

Não era à toa. André Negão era considerado o maior cabo eleitoral dentro do Corinthians. E era potencial candidato a presidente após a saída de Roberto de Andrade. Por isso, foi escolhido como 1º vice na chapa do final de 2014.

Na mesma época, ele fez doações de R$ 12.460,00 para a campanha de Andres Sanchez, seja diretamente, seja por meio de sua empresa, a Andre Luiz Participações SS LTDA. Depois, em fevereiro de 2015, o deputado lhe deu o cargo no gabinete.

Fora suas funções parlamentares, e a influência no clube, André Negão não tinha nenhum cargo oficial para lidar com a Arena Corinthians. Na investigação que levou a sua detenção, foi constatado um pagamento de R$ 500 mil com o nome Timão em documentos da Odebrecht. Foi constatado que o pagamento estava ligado a um número de telefone associado ao cartola corintiano.

Dentro do clube, tudo que André Negão fala é considerado como se fosse vindo de Andres. Em um grampo feito pela Polícia Federal, em outra fase da operação da Lava-Jato, Andres afirmava que era um “soldado da Odebrecht”. 

Sua declaração foi feita ao ex-diretor da empreiteira Alencar Alexandrinho, um dos que viabilizou o projeto da arena. Alexandrino está preso e era pressionado a fazer delação juntamente com o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht. Agora, Antônio Gavioli, diretor responsável pela Arena Corinthians, tem prisão preventiva decretada pela PF.

Fonte: Bol.com.br

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