Abu Dhabi pode encerrar calmaria no mercado de títulos do Golfo

(Bloomberg) — No fim das contas, é possível que Abu Dhabi, e não a Arábia Saudita, defina as vendas de títulos do Golfo Pérsico neste ano.

Abu Dhabi, que detém cerca de 6 por cento das reservas comprovadas do mundo, está planejando uma venda de títulos internacionais de dívidas em dólares pela primeira vez em sete anos. Com isso, poderá reativar as emissões de todo o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês), organização formada por seis países, após o pior início de ano desde 2008.

“A esperança é que isso movimente as coisas e traga alguma oferta ao mercado”, disse Abdul K Hussain, CEO da Mashreq Capital DIFC, com sede em Dubai. “Haverá um nível bastante diversificado de interesse. Se o acordo tiver um bom preço e um bom desempenho, e o mercado continuar apoiando, haverá mais emissões”.

A venda será acompanhada de perto, principalmente na Arábia Saudita, que planeja uma oferta de estreia já em setembro. Os países do bloco exportador de petróleo enfrentam a queda de 60 por cento dos preços do petróleo nos últimos dois anos, que reduziu as receitas dos governos e poderá levá-los a registrar um déficit orçamentário combinado de cerca de US$ 140 bilhões neste ano, segundo estimativas do Emirates NBD PJSC, o maior banco de Dubai.

Venda de Abu Dhabi

Abu Dhabi começou a se reunir com investidores em renda fixa nesta semana. Classificado com o terceiro grau de investimento mais elevado da Standard & Poor’s, recorreu ao mercado pela última vez em abril de 2009, vendendo US$ 1,5 bilhão em títulos de 10 anos.

As vendas de títulos da região, que inclui as duas maiores economias árabes, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, caíram 35 por cento neste ano, para US$ 5,5 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg, enquanto a queda do petróleo aumentou os yields dos títulos e afastou os emissores.

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, está se preparando para sua estreia em venda de títulos em dólares e poderá recorrer aos mercados já em setembro, disse o ministro de Estado Mohammad Bin Abdulmalik Al-Sheikh neste mês. O momento da venda de títulos dependerá das condições de mercado.

Os possíveis emissores do GCC enfrentarão o aumento dos custos dos empréstimos em um momento em que o petróleo é negociado a um valor um terço mais baixo que há um ano. Apesar de o yield médio sobre os títulos vendidos pelos emissores do Oriente Médio ter caído 26 pontos-base neste ano até a última terça-feira, para 4,79 por cento, enquanto o barril de petróleo subiu para mais de US$ 40, continua mais elevado que a média de cinco anos, de 4,37 por cento, segundo os índices do JPMorgan.

O Reino do Bahrain, menor economia da região, e o emirado de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, são os únicos governos do GCC que venderam títulos neste ano, captando um total combinado de US$ 1,1 bilhão.

Fonte: Bol.com.br

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