Alunos denunciam assaltos e clima de insegurança na UFPE

Foto: Blenda Souto Maior/Arquivo DP
Foto: Blenda Souto Maior/Arquivo DP

A insegurança, a tensão e o medo fazem parte da rotina dos cerca de 40 mil alunos que estudam na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e circulam pelo campus Recife, na Cidade Universitária, diariamente. Assaltos dentro do campus e nas paradas de ônibus e coletivos no entorno da universidade são cenários de uma insegurança cotidiana, exposta por estudantes nas redes sociais e amplamente denunciada pela imprensa, mas ainda longe de ser solucionada. 

Na semana passada, depois de mais um caso de ônibus assaltado no entorno do campus, os estudantes organizaram um ato, em protesto, e produziram cartazes para identificar os locais onde já foram registradas abordagens e dar mais visibilidade ao problema que, embora não seja novidade, tem se agravado nos últimos meses. 

A estudante de biomedicina Carol Louise, 26, mora longe do Recife. Em função da distância, organiza caronas para chegar e sair do campus e quase nunca usa o transporte público, o que a livra de entrar para o “grupo dos assaltados”, como diz. “A maioria dos assaltos acontecem nas paradas e sei que isso diminui muito a minha chance de ser assaltada, mas o medo também existe dentro do campus”, ela conta. “No grupo da UFPE no Facebook são de três a cinco relatos diários, sem falar nos arrastões, quando 10, 15 pessoas são roubadas de uma vez”, reclama.
 

Segundo Carol, os estudantes estão revoltados e cansados de procurar, em vão, a reitoria da universidade. “Já fomos na assistência estudantil, mas só dizem que vão reforçar a segurança. Na teoria é bem legal, mas na prática nada acontece e os seguranças da rede privada não estão preparados”, queixa-se. 

A estudante cita o caso, no início deste mês, de uma aluna do curso pré-acadêmico, que tem aulas nos finais de semana, foi supreendida por um homem nu e armado quando saia de um banheiro dentro do campus. 

Em novembro de 2015, um adolescente armado também invadiu o campus e chegou a trocar tiros com a Polícia Militar, assustando os alunos. O garoto, que não teve dificuldades para entrar na universidade armado, estaria realizando assaltos fora do campus e entrou no local para se esconder da PM, que fazia uma abordagem de rotina. 

No dia seguinte ao episódio, em seis de novembro, outra aluna procurou o Diario para denunciar a insegurança vivenciada por quem precisa ir ao local. A estudante, que não quis revelar a identidade, estava em uma parada de ônibus junto com outros oito colegas, quando foi abordada, em frente ao centro de saúde, por dois homens, um deles amardo. 
“Só escapamos porque corremos e os bandidos ficaram assustados e foram embora. Lá fomos informados que pelos próprios seguranças que o atual reitor proibiu o uso de arma no campus pelos vigilantes. Apenas os que estão na patrulha de carro, que geralmente são dois, um tem arma que só pode ser utilizada dentro dos portões. Como nós estávamos na parada eles não poderiam fazer nada. Hoje só tinha um vigilante dentro do prédio de saúde, que só soube porque corremos”, reclamou a estudante. 

Paradas de ônibus no entorno do campus são locais mais vulneráveis. Foto: Nando Chiappetta/ DP
Paradas de ônibus no entorno do campus são locais mais vulneráveis. Foto: Nando Chiappetta/ DP

Na época, a assessoria de imprensa da UFPE disse que a parada de ônibus em questão fica na BR-101, fora do campus, sendo, por tanto, responsabilidade da Polícia Militar. Sobre o uso de armas, a universidade esclareceu que os seguranças terceirizados atuam armados mas os agentes de segurança federais, que são servidores públicos por lei não são autorizados a portar armas.

Cinco estupros registrados em 2015

Em agosto do ano passado a polícia prendeu Geraldo Vieira da Silva, 34 anos. Reconhecido pelas vítimas, ele foi apontado como responsável pelo estupro de cinco mulheres no entorno do campus. 

 Geraldo Vieira da Silva é suspeito de ter cometido cinco estupros próximo ao campus. Foto: Paulo Trigueiro/ Arquivo DP
Geraldo Vieira da Silva é suspeito de ter cometido cinco estupros próximo ao campus. Foto: Paulo Trigueiro/ Arquivo DP

Os crimes aconteciam na Avenida General Polidoro, onde ele chegou a ser flagrado por câmeras de segurança. Geraldo morava próximo ao local onde praticava os abusos, que seguiam o mesmo padrão: ele abordava as mulheres por volta das 19h, fingindo estar armado e anunciando um assalto. Em seguida, segurava o braço delas e pedia para caminharem com ele, como se fossem namorados. Ao chegar em uma área mais escura, atrás de caminhões estacionados na avenida, praticava os estupros.

Mulheres fazem ato na semana que vem 
Na próxima quarta-feira, estudantes da universidade farão um ato, cobrando a segurança das mulhere dentro do campus. “A universidade é pública, meu corpo não”, diz o movimento, que se reúne nesta segunda, às 17h, no CAC e que vai elaborar uma carta para a reitoria.

O Diario procurou a UFPE, que prometeu se pronunciar sobre o assunto. O posicionamento da universidade será postado aqui assim que houver resposta. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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