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Amigo de Slash acredita que foi Duff quem mediou reconciliação com Axl Rose

  • James Cimino/UOL

    Marc Canter posa em frente a galeria de fotos feitas por ele em diversos shows dos anos 1980. Em primeiro plano, os Guns n' Roses em show de 1985. Ao fundo, Madonna e Eric Clapton

    Marc Canter posa em frente a galeria de fotos feitas por ele em diversos shows dos anos 1980. Em primeiro plano, os Guns n’ Roses em show de 1985. Ao fundo, Madonna e Eric Clapton

Guns n‘ Roses volta a tocar com a formação clássica e sai em turnê a partir desta sexta (8), em Las Vegas, concretizando uma improvável reunião de Axl Rose, Slash e Duff McKagan, separados há quase 20 anos, depois de conflitos que entraram para a história do rock. Um show surpresa já reuniu o trio em Los Angeles na última sexta (1º), no clube Troubadour, local onde eles tocaram pela primeira vez em 1985.

A turnê que parecia impossível já é fato e está aí para alguns felizardos verem, mas os bastidores das idas e vindas do Guns só foram acompanhados por algumas pessoas. Entre elas, Marc Canter, dono da Canter’s Deli, uma popular “padoca” 24 horas em Los Angeles. Antes de conduzir o negócio de sua família, nos anos 1980, Canter era um jovem apaixonado por rock que, por acaso, era amigo do guitarrista da maior banda da época: o Guns n’ Roses.

Canter conheceu Slash na escola e anos depois os dois se tornaram amigos. Ele passou então a acompanhar os passos da banda rumo ao sucesso –e, depois ao declínio, segundo ele causado pelo medo que assombrava o entourage de Axl Rose. 

“Guns n’ Roses” toca “Welcome to the Jungle” em show surpresa

Terapia de casal

Foi esse medo, conta Canter, que gerou a discórdia que resultou na separação da banda. De acordo com ele, a birra entre os integrantes era motivada por raiva e falta de comunicação. “Metade dos problemas não eram problemas. Eles ouviam boatos sobre o outro e não iam esclarecer. Nunca pediram desculpas um ao outro. Chegou um momento que eu os aconselhei a procurar uma terapia de casais. Era como uma casamento indo mal das pernas.”

As drogas também não facilitavam a convivência. Axl queria se prevenir de quaisquer problemas com possíveis viúvas em caso de overdose e morte de um dos integrantes. Por isso enviava documentos para que Duff e Slash assinassem para se prevenir de ações legais. Acontece que o baixista e o guitarrista se sentiam pressionados pelo vocalista.

“Eles sentiam que o Axl fazia bullying com eles. Porque o empresário da banda levava os papeis para eles assinarem dizendo que Axl não iria se apresentar ou que iria demiti-los caso eles não assinassem. Mas ele nunca disse isso. Era coisa do empresário, que morria de medo de contrariá-lo e de ser demitido”, diz Canter.

Quem acabou fazendo as vezes de terapeuta e reunindo Slash e Axl para a atual turnê foi mesmo o baixista Duff McKagan que, segundo Canter, é o intermediador do armistício — além do fato de que Axl agora vê Slash como um homem que abandonou as drogas, é bom pai e faz caridade.

Chegou um momento que eu os aconselhei a procurar uma terapia de casais. Era como uma casamento indo mal das pernas.
Marc Canter, amigo de Slash, sobre as brigas entre os integrantes do Guns N’ Roses

“Eu não sei 100% do que rolou agora, mas acredito que tenha sido pela natural passagem de tempo e pela ação de Duff, que esclareceu esses mal entendidos. Ele sempre foi um bom conciliador. E se tinha uma pessoa em quem Axl sempre confiou e que, ao mesmo tempo, ainda falava com Slash, era ele”, conta.

Além dos mal-entendidos, há ainda uma explicação musical para o rompimento. Questionado pela reportagem do UOL por que foi possível perceber a decadência da banda após o incontestável sucesso dos dois álbuns duplos “Use Your Illusion”, Canter afirma que isso foi fruto do dinheiro.

“Quando eles estavam fazendo ‘Appetite for Destruction‘, quatro deles, inclusive Axl, Slash e Duff, viviam em uma garagem que não tinha nem banheiro. Eles tinham que urinar nas árvores, como cães. Mas sempre que algum deles tinha uma ideia de música, estavam todos ali, colaborando um com o outro. Depois da fama e do sucesso, foram cada um morar em seus apartamentos. E a produção passou a ser fragmentada. Slash criava um riff, Duff criava outro e mandavam para o Axl, que criava a letra e meio que era responsável por juntar tudo. Não estou falando mal dos discos, eles são incríveis, mas mudou o jeito que eles trabalhavam. Eles começaram a ter ideias diferentes de como deviam ser as gravações, quem trabalharia na banda. Eles não estavam mais sincronizados.”

As maiores polêmicas do Guns n’ Roses

Livro

A intimidade de Canter com Slash, Axl, Duff, Frank Ferrer, Dizzy Reed e Richard Fortus rendeu um livro chamado “Reckless Road: Guns n’ Roses and the Making of ‘Appetite for Destruction'”. A obra conta as histórias que juntaram todos esses músicos e como essa união originou o álbum que catapultou a carreira do Guns com sucessos como “Sweet Child O’Mine“, “Welcome to the Jungle” e “Paradise City“.

O livro, que Canter mantém exposto no caixa de seu restaurante em cópias autografadas, acabou criando uma indisposição com Axl. Foi lançado em 2008 pouco antes de “Chinese Democracy“, o álbum que Rose levou 13 anos para conseguir lançar e que serviria para levar ao público uma nova formação da banda.

“Tudo que Axl não queria era um livro que trouxesse à tona, naquela época, a figura do Slash. Lembro de ter ido a um show e ter dito ao pessoal da banda que tinha conseguido uma editora para publicar a obra. Eles disseram que iam contar a ele, mas ele nunca se manifestou. Um dia mandei um e-mail direto para saber sua opinião, se ele me apoiaria ou não. Quem respondeu foi seu empresário, dizendo que Axl só ficou sabendo da história por causa daquele e-mail e que estava furioso. Eles tinham medo de contar. Desde então, ele nunca mais falou comigo”, relata Canter.

Meu bebê

Apesar da briga com Axl, o autor diz que o vocalista do Guns nunca interferiu na publicação de seu livro, nem tentou impedi-la. Contudo, Canter afirma que tinha direito de contar a história pregressa da banda por ter não apenas acompanhado tudo de perto, mas por ter sido o primeiro patrocinador do grupo.

“Eu entendo que o Axl quisesse um novo rumo pros Guns n’ Roses, mas eu acho que não se constrói novos rumos ignorando sua própria história. Além disso, eu os ajudei financeiramente durante o começo, quando ninguém os conhecia. Pagava pelos flyers, para revistas especializadas em rock fazerem anúncios de página inteira de seus shows e trazer mais fãs. Meu trabalho era arrumar shows para eles. Nem dinheiro para comprar cordas novas para as guitarras eles tinham. Queria que todo mundo os conhecessem porque via neles um talento excepcional. Não tinham uma música ruim e foi também com a minha ajuda que eles levaram ao mundo músicas brilhantes como ‘My Michelle’, ‘Don’t Cry’, ‘Paradise City’… Só parei de dar dinheiro quando eles começaram a usar heroína. Eu não queria compactuar com isso. Eu era meio que o pai e a mãe deles. Dizia que quando eles parassem com as drogas eu voltaria a ajudar na comida. O Guns n’ Roses é meu bebê”.



Fonte: Bol.com.br

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