Após Faustão, técnicos da Globo defendem "geladeira" em Paula Fernandes

O mimimi ocorrido entre a cantora Paula Fernandes e o apresentador Fausto Silva, no último domingo, em São Paulo, ainda repercute: diretores do “Domingão” e até de outras produções da Globo já defendem uma “geladeira” na cantora. Em outras palavras, defendem limá-la de todos os programas da casa (por algum tempo).

Seria uma lição para o que consideraram “agressividade” que a cantora teve para com Fausto Silva no último domingo.

No fim de semana, Paula interrompeu uma canção porque o violão não estava afinado.

Ela parou exatos 11 segundos depois de começar a tocar, reclamando do instrumento.

Faustão disse algo, obviamente incomodado, pois faz uma atração ao vivo:

“E aí nós ficamos (aqui ao vivo) com as bailarinas e vamos ficar com ela (Paula?) no colo por duas horas e meia…”, ralhou Faustão ao microfone.

Ao que a cantora (que fora entregar o violão a um roadie) se irritou e devolveu empertigada e desafiadora para Faustão:

“Vem cá! O violão desafinou por causa do ar condicionado!”

Em primeiro lugar uma avaliação técnica do ocorrido: é consenso entre produtores da Globo que a única pessoa responsável por afinar um instrumento é seu próprio dono ou seus técnicos. Produção da Globo não toca em instrumentos musicais dos convidados, a menos que eles peçam ajuda (ou um diapasão, por exemplo).

Então, antes de tudo, se o instrumento do artista está desafinado, a responsabilidade e culpa é totalmente sua e de sua equipe. O ar condicionado, por mais forte que seja, não desafina um violão em segundos. São precisos vários minutos sob exposição do frio (veja mais abaixo).

Ou seja, o violão de Paula já estava desafinado há algum tempo e nenhum técnico teve a lembrança de dar uma última passadinha. Nem a cantora. Técnicos e artistas comentaram com o UOL a respeito das causas da desafinação.

Em segundo lugar, a produção de Fausto ficou chocada principalmente com o tom de voz com que Paula falou com Fausto.

Na TV, afirmam que, como Paula Fernandes falou parte da frase a Faustão longe do microfone, não é possível notar o tom que usou.

SE VOCÊ DIZ QUE EU DESAFINO, AMOR…

Instrumentos musicais são, senão como gente, ao menos como um tipo de de vida orgânica. Os melhores violões ou pianos (para ficarmos apenas em instrumentos de madeira e corda) podem demorar meses ou até anos para serem feitos.

Violões como os que Paula Fernandes usa (entre outros, um Takamine de vários milhares de dólares) são quase um ser vivo.

Quando jovens (ou novos) são tão precisos que podem reagir (ou desafinar) não só diante  de calor ou frio, mas também diante de vibrações de um palco (ou estádio) ou pelo simples transporte.

Mesmo enormes pianos de cauda novos podem reagir a temperatura rapidamente.

Um exemplo está no documentário “Nelson Freire” (2003), que mostra o dia em que o grande o pianista vai “estrear” um Steinway na Sala São Paulo. Steinway é uma espécie de “Rembrandt” dos pianos: uma obra inigualável.

O que Nelson estrearia acabara de chegar à sala havia dias. Nelson vai tocá-lo e, após várias tentativas, se desentende com o instrumento, ao ponto de achar que se tratava de algo “pessoal” (o piano não tinha gostado dele).

Sabe-se hoje que, naquele dia da gravação, o ar-condicionado dos camarins já estava  ligado havia muito tempo, quase que desde a manhã (até para receber o pianista).

Como a sala estava vazia, o frio não circulou e se concentrou na região dos camarins –que fica próxima ao palco onde estava o piano. Que por sua vez é feito de forma artesanal e com madeira  de árvore que tem até  mapa e certidão de “nascimento”, além de metal de alta pureza.

Aquele Steiway “filhote” do filme estava provavelmente resfriado, e suas variações são perceptíveis apenas para um ouvido do tamanho do de Freire.

spoiler: Nelson acaba fazendo uma apresentação brilhante à noite, nesse mesmo piano.

Fonte: Bol.com.br

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