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Artigo: Karen, um mundo ‘Karente’ por Fernando Moura Peixoto

“O racismo existe no Brasil, embora a gente goste de acreditar que não. Está em toda parte e em todos os momentos.”

JOEL RUFINO DOS SANTOS (1941 – 2015)

 

Despertou curiosidade a moça que fotografei dormindo e para quem escrevi o poema apaixonado ‘Sonho Carente’.

Karen Oliveira da Silva é uma carioca, nascida em 12 de setembro de 1991, negra e homossexual assumida. Baixinha, cabelinho cortado rente – ou quase raspado –, parece um menino, no trajar e andar.

Funcionária em período de experiência num supermercado, Karen foi dispensada por motivo de “contenção de despesas e corte de pessoal. Por ela me interessei e tento ajudar, com afeto e carinho – e também economicamente.

Perdeu os pais muito cedo e mora de aluguel em Caxias, com o irmão. Não tem mais ninguém na vida. Dorme no chão; sequer possuía fogão, geladeira ou um simples armário. Agora tem – usados – que adquiriu com o cachê das fotos que tirou comigo. Falta-lhe ainda uma cama e – desejo maior – um aparelho de televisão moderno.

Levei-a algumas vezes a passear no bairro de Botafogo, e fiz os registros fotográficos. Quase infantil em alguns momentos, uma expressão de alegria e felicidade estampa-se no rosto da jovem.

Karen sonha um Brasil melhor, justo, sem discriminações de qualquer espécie, e com oportunidade de trabalho para todos.

Escritor e poeta, Abilio Fernandes dedicou-lhe um versinho:

Karen é uma rosa / Que necessita de carinho. / Carente, sim! / Como o amor, / Rosa sem espinho, / Sem flor e sem ninho!

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Texto e fotos: Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

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