Artilheiro aos 31, Roger celebra 'vida nova' e quer manter fama de carrasco

Artilheiro, capitão e referência do Red Bull. Quem vê o atacante Roger hoje, aos 31 anos de idade e disputando a artilharia do Campeonato Paulista, nem imagina que a esperança da classificação da formação de Campinas já foi conhecida por sua indisciplina. 

Vinculado ao São Paulo entre 2005 e 2010, o jogador teve poucas chances com a camisa tricolor e foi emprestado persas vezes por causa de sua conduta: não era comprometido com os treinos e vivia “cometendo excessos”, como ele mesmo definiu.

Há quatro anos, Roger tomou consciência de que precisava mudar para ir além. Virou um atleta exemplo nos treinamentos, na alimentação e na dedicação, e conquistou naturalmente a liderança sobre o elenco que enfrentará o Corinthians neste sábado, às 16h20, por uma vaga na semifinal.

Apesar da superioridade do adversário, Roger e o Red Bull têm algo a seu favor: não foram derrotados por nenhum grande paulista nesta temporada. A equipe de Maurício Barbieri venceu o Santos (2 a 0) e o Palmeiras (2 a 1) e empatou com o São Paulo (1 a 1). Em todos esses jogos, o artilheiro balançou as redes. E espera manter a alcunha de carrasco contra o líder do torneio.

Confira o bate-bola com Roger:

‘Jogos como este diferenciam os jogadores grandes dos pequenos’

Artilheiro, capitão, referência… acha que a responsabilidade sobre os seus ombros é maior que a do restante do grupo?

A responsabilidade e a liderança são desenvolvidas no dia a dia. Não é algo que a gente impõe ou pede a alguém, apenas vai conquistando. Eu não acho que tenho uma responsabilidade maior. Futebol é feito de um grupo. Temos uma equipe bem montada, bons jogadores fazendo um grande campeonato. Tenho minha responsabilidade e a pido com os mais jovens. Oriento para que, quando entrem dentro de campo, levem o futebol como uma persão, é o que a gente ama fazer desde de criança, e também sempre se impor para fazer o melhor. Jogos como este diferenciam os jogadores grandes dos jogadores pequenos.

Pressão por enfrentar o Corinthians, dono da melhor campanha, ainda mais diante da Fiel?

O grupo é experiente, temos vários jogadores muito rodados. Não vamos dizer que é uma semana normal, é um jogo diferente, pede um pouco mas de concentração. Mas queremos chegar à final e, para isso, precisamos passar pelo Corinthians. Há três meses estamos com isso em mente. Chegou a hora de ir e dar o nosso melhor. Por ser na Arena, eles levam um pouco de vantagem, não há como negar. 40 mil pessoas te apoitando o tempo todo faz diferença para qualquer um. Mas já visitamos o Palmeiras no Pacaembu com mais de 25 mil pessoas e fizemos um grande jogo. A gente pode repetir isso. Vamos tentar jogar essa pressão para o lado deles e ser franco-atiradores.

Vocês tem a vantagem de ser o ‘carrasco dos grandes’…

Estamos tentando manter a fama. Para fazer a final e colocar o time na Série D, teremos que continuar sendo o carrasco dos grandes. É um marco que a gente pode alcançar, algo que quase ninguém fez, que é vencer todos os grandes de São Paulo. A gente tem chance. Esse grupo foi montado para fazer história, e tenho certeza de que no sábado, pouco depois das 18h, estaremos comemorando a classificação.

Você já atuou pelo São Paulo e pelo Palmeiras. Isso dá uma motivação maior para derrotar o Corinthians nas quartas?

Não, porque realmente joguei muito pouco lá, tive poucas oportunidades. Não é uma motivação de ter que fazer um grande jogo em resposta a nada, minha única motivação é terminar essa história bonita que está escrita na minha vida nova. Artilheiro, capitão, talvez um dos líderes do Red Bull. Minha motivação maior é manter essa história que está sendo escrita, e quem sabe passando para a semifinal e colocar o clube em um lugar de honra, porque estar entre os quatro melhores de São Paulo não é para qualquer um.

O que você quis dizer com “vida nova”?

Estou diferente no modo de pensar, de trabalhar, de agir. Muita coisa nova. Já faz uns três ou quatro anos que passei a ser um verdadeiro atleta, passei a trabalhar, treinar forte, me concentrar, me alimentar melhor… Com certeza isso tem feito a diferença. Vivo meu melhor momento, não só no profissional, mas na área de família, casamento, filhos. Eu não tinha muito compromisso, como todo jovem que não tem preparo para ir a um time grande. Eu fui mais um que saí do interior, da Ponte Preta, e fui para o São Paulo. Eu não tive o preparo para suportar o São Paulo. Não tinha compromisso com horário de treino, gostava de sair, cometia excessos, como todos os jovens cometem. Agora levo uma vida estável, viver em paz tem feito a diferença.

Teve más influências dentro dos vestiários?

As pessoas precisam parar com essa história. Cada um faz o que quer, vai porque quer, ninguém “leva” ninguém. A única coisa que eu acho louvável nos clubes maiores é que os jogadores, desde a base, aprendem a se comportar, a dar entrevista, a se vestir e falar melhor. Isso faz a diferença porque depois, quando sobe para o profissional, está preparado para aquilo que vier. Não é um choque de realidade como acontece na vida da maioria que surge de um time menor e vai querer aproveitar tudo aquilo que nunca teve. Não dá para culpar, apontar dedo e falar que está errado, porque é algo que ele nunca viveu, tá sendo novidade.

Você foi artilheiro da primeira fase aos 31 anos. Por que acha que não chegou a essa marca anteriormente? Excessos pesaram?

O sucesso na carreira de jogador não é apenas responsabilidade do atleta. Houve fases no São Paulo em que eu poderia ter jogado, Em 2010, por exemplo. Eu tinha ido ao Vitória em 2009 e feito 15 gols no Campeonato Brasileiro. Voltei para o São Paulo e tive só três chances de jogar no Paulista. Acho que era a melhor fase da minha vida, já não cometia excessos, treinava, tinha vindo de uma campanha maravilhosa no Brasileiro, mas não tive oportunidade. Não dá para culpar o Roger por tudo, mas não dá para tirar minhas culpas. Achei a medida certa, estou com a cabeça boa, treinando e aproveitando as oportunidades. Essa união de coisas me credenciou para disputar a artilharia.

O artilheiro e irá enfrentar a melhor defesa. Qual é a estratégia?

Vamos fazer o nosso jogo, não tem muito o que mudar, até porque chegamos aqui com essa força de jogar para frente. Temos dois meias e três atacantes, formação ofensiva. A gente vai tentar fazer o máximo para marcar, mas esse não é nosso ponto forte. Queremos jogar um futebol bonito. Para enfrentar o Corinthians no Itaquerão, não adianta só se defender, porque a chance de ser surpreendido e perder é muito grande. Tem que enfrentar.

A campanha do Red Bull na primeira fase te surpreendeu?

Não me surpreendeu. Desde que a gente se apresentou, tivemos 26 dias para treinar. Fizemos um amistoso contra Santos e Atlético-PR. Perdemos o primeiro por 3 a 2 e vencemos o segundo por 3 a 2. A gente sabia que podia jogar de igual para igual com qualquer um. Não é uma campana que surpreende, sem sombra de dúvidas poderia ser até melhor.

Como é sua relação com o técnico Barbieri?

É um cara sensacional, um treinador novo, inteligente, cara que tem tudo para dar certo no futebol porque é estudioso, ouve o atleta, sabe conversar e dialogar. Ele tem tudo para fazer história com o Red Bull nessas quartas de final contra o Corinthians. Desde o dia que nós chegamos no clube ele me deu moral, sempre mostrando minha qualidade.

Seu contrato acaba em maio, junto com a maioria do elenco do clube. Já sabe para onde vai?

Todo mundo recebeu propostas, algumas consultas, mas estou muito focado nesse jogo de sábado, querendo ganhar para classificar o time à Série D.

Fonte: Bol.com.br

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