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Associação mantém estilo de vida de "O Regresso" nas montanhas dos EUA

Lara Malvesí.

Nova York, 4 abr (EFE).- Cerca de 600 homens vivem uma vida bem semelhante à de Hugh Glass – personagem de “O Regresso”, filme de Alejandro González Iñárritu protagonizado por Leonardo DiCaprio – nas montanhas dos Estados Unidos, onde passam temporadas tendo a natureza como a única companhia e a responsável por lhes fornecer mantimentos e abrigo.

Eles são os membros plenos da associação The American Mountain Men (AMM), criada em 1968 e dedicada ao estudo e a preservação do estilo de vida dos pioneiros, ou “frontiersman”, que sobreviviam nas montanhas do país no século 19 e frequentemente em circunstâncias extremamente adversas.

Embora sejam milhares os “amigos” da associação que recebem pontualmente a revista “The Tomahawk and Long Rifle”, apenas alguns cumprem os requisitos necessários para ser membro pleno.

Os candidatos levam dois anos, em média, para superar 20 provas que incluem o uso de técnicas de caça e pesca, habilidades para fazer fogo em qualquer circunstância, assim como o manejo das armas próprias da época, explicou à Agência Efe o chefe de registros da associação, Daniel Cripps.

Os interessados em entrar para este seleto grupo também devem ser capazes de transformar a pele de um animal em abrigo e conhecer as espécies que os rodeiam, além de aguentar fazer longas travessias a cavalo ou navegando em uma canoa.

Paradoxalmente, a prova mais difícil para os candidatos é a que exige menos esforço físico. De acordo com Cripps, escrever sobre a vida dos primeiros exploradores, que faz parte da “conclusão do curso”, é o pior pesadelo para aqueles que querem fazer parte desta irmandade.

Contudo, os que são aprovados conseguem viver o melhor dos mundos, na opinião do capitão do conselho nacional da AMM, Jim Hannon. Para ele, o melhor de viver em comunhão com a natureza, no estilo de vida levado há dois séculos, é “sentir-se parte do meio”.

“Acordar e tomar banho no rio, comer o que se colhe ou se pesca e sentir-se em união com a natureza… Não tem nada como isso”, contou à Efe Hannon, de 35 anos e vinculado à irmandade desde os 18.

Segurando o código da associação na mão, ele explicou que as mulheres não podem ser membros, embora muitas participem de atividades pontuais e algumas esposas tenham um grupo só delas.

O código também determina que só se pode “pegar da natureza o necessário”, é preciso “ser independente e só pedir ajuda aos outros em último caso”, “advertir se há outras pessoas quando chegar ao local” ou “em uma situação de luta pela sobrevivência, estar disposto a dividir comida e água com outros”.

Um dos cinco homens que fundaram o American Mountain Men, Walt Hayward, lamenta, na breve história do site da organização, que os homens das montanhas são “pioneiros da história da América esquecidos”.

O mais famoso deles foi Hugh Glass. Ele entrou para a História por suas façanhas no oeste americano no século XIX, incluindo o lendário episódio no qual foi ferido por um urso-pardo.

Perguntados sobre o filme, tanto Cripps quanto Hannon enaltecem a ambientação e a fotografia tão belas quanto à própria natureza, mas advertem que o longa é pouco fiel na hora de contar a história de Glass.

“Claro que existe muita Hollywood em ‘O Regresso’. Não mataram o filho que ele teve com uma nativa americana, seu inimigo não morreu e não fazia tanto frio em sua épica viagem porque não era inverno, mas, sim, verão”, comentou Cripps.

O filme que rendeu o Oscar a DiCaprio e Iñárritu fez aumentar o interesse pela associação e suas atividades, segundo Cripps, mas essa não foi a primeira vez que histórias desse tipo foram parar no cinema.

Charlton Heston e Brian Keith protagonizaram “Os Homens da Montanha”, em 1980, e John Huston e Richard Harris já levaram as aventuras de Glass às telonas em “Fúria Selvagem”, em 1971.

Fonte: Bol.com.br

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