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Bispo francês pede perdão por declarações sobre pedofilia

Bispo francês Stanislas Lalanne em 21 de julho de 2014. Foto: François Guillot/AFP/Arquivos
Bispo francês Stanislas Lalanne em 21 de julho de 2014. Foto: François Guillot/AFP/Arquivos

Paris – O bispo francês Stanislas Lalanne pediu nesta quinta-feira “perdão às pessoas que pode ter ferido” ao afirmar que “não saberia dizer” se a pedofilia é um pecado, o que desencadeou uma forte polêmica na França. Lalanne, bispo de Pontoise (periferia de Paris), declarou na terça-feira a uma emissora de rádio católica que a pedofilia é “um mal”, mas que “não saberia dizer” se é um pecado.

“A pedofilia é um mal. Pertence ao âmbito do pecado? Isso eu não saberia dizer, é diferente para cada pessoa. Mas é um mal e a primeira coisa que precisa ser feita é proteger as vítimas ou as eventuais vítimas”, declarou na terça-feira em uma transmissão consagrada ao tema “A Igreja da França diante da pedofilia”.

Suas declarações provocaram a reação de vítimas de pedofilia de Lyon (leste), num momento em que o arcebispo desta cidade, o cardeal Philippe Barbarin, é alvo de uma investigação judicial por não denunciar agressões sexuais de um sacerdote de sua diocese.

Barbarin, de 65 anos, figura influente e midiática da Igreja na França, é arcebispo de Lyon desde 2002. As palavras de Lalanne provocaram surpresa, principalmente quando ele é o responsável pela “célula de vigilância” do episcopado francês sobre a pedofilia.

O bispo tentou retificar suas declarações em um comunicado publicado na noite de quarta-feira, mas a polêmica não cessou. A ministra francesa de Educação, Najat Vallaud-Belkacem, pediu nesta quinta-feira ao prelado que “dissipasse qualquer ambiguidade” a respeito.

Convidado novamente nesta quinta-feira à emissora RCF, rede de rádios católicas, o monsenhor Lalanne afirmou que “não há nenhuma banalização da pedofilia” em suas palavras. “Minha primeira atenção é, principalmente, para as vítimas (…), sei a que ponto seu sofrimento é profundo e durável”, disse o bispo. “Se feri um ou outro com minhas palavras que não foram compreendidas, peço perdão”, disse.

“De fato, a pedofilia é, em todos os casos, um pecado objetivamente grave”, disse, explicando que “o que quis dizer, sem ser compreendido, é que a questão difícil gerada em cada situação, que é em cada vez extremamente dolorosa, é o grau de consciência e, portanto, de responsabilidade de quem comete atos tão atrozes”.

No jornal cristão La Croix, o sacerdote Laurent Lemoine, especialista em teologia moral, explicou que “se considera que há pecado quando há um ato moral responsável”, mas, acrescentou, as sutilezas do monsenhor Lalanne “não são audíveis”.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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