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Brasil permitirá que Paraguai acesse documentos da Guerra da Tríplice Aliança

Assunção, 4 abr (EFE).- O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, se comprometeu nesta segunda-feira a permitir que o Paraguai tenha acesso a todos os documentos sobre a Guerra da Tríplice Aliança, na qual a nação guarani enfrentou Brasil, Argentina e Uruguai entre 1864 e 1870 e perdeu cerca de metade de sua população.

Em visita oficial no Paraguai junto ao chanceler Mauro Vieira, Rebelo declarou em entrevista coletiva oferecida na sede de chancelaria paraguaia, em Assunção, que o Brasil garantirá o “acesso absoluto aos documentos, para que não haja segredos”.

Além disso, garantiu a cooperação do Brasil na preservação dos documentos históricos que fazem referência ao conflito, assim como dos equipamentos militares e civis empregados nesse período.

O ministro também propôs criar uma rota turística pelos locais que lembram as principais batalhas daquela que também ficou conhecida como Guerra do Paraguai, muitos dos quais estão localizados no departamento sulista de Ñeembucú, na fronteira com a Argentina.

Rebelo visitou neste fim de semana alguns destes lugares, como as ruínas de Humaitá, um antigo complexo religioso e militar declarado Patrimônio Nacional, no qual só fica de pé sua igreja, construída em 1861.

Por sua parte, o ministro da Defesa do Paraguai, Diógenes Martínez, agradeceu que o Brasil ponha à disposição esses documentos e assegurou que isso permitirá resolver os “pequenos probleminhas, como o arquivo e o canhão, para enterrar definitivamente o ódio e os rancores” entre os dois países.

Martínez se referiu assim a duas das históricas reivindicações que o Paraguai mantém com o Brasil com relação a essa guerra: a devolução do Arquivo Nacional paraguaio, que foi roubado por tropas brasileiras, e o canhão El Cristiano, uma peça de bronze de 10 toneladas depositada no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

No anos 1980, o Brasil restituiu ao Paraguai esse arquivo, que consta de 50.000 documentos que datam desde a etapa colonial paraguaia até o começo da guerra. No entanto, historiadores paraguaios estimam que o arquivo não foi devolvido em sua totalidade.

Em março de 2013, o então presidente do Paraguai, Federico Franco, reivindicou ao Brasil os hipotéticos documentos confidenciais, que no Paraguai passaram a ser conhecidos como o “arquivo secreto” da Tríplice Aliança, e que acredita-se que contêm revelações comprometedoras sobre o papel do Brasil nessa guerra.

Durante a guerra contra a Tríplice Aliança, o Paraguai perdeu cerca da metade da população, ficando uma relação de quatro mulheres para cada homem, segundo os cálculos mais aceitos pelos historiadores.

Fonte: Bol.com.br

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