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Brasileiros teriam usado empresa panamenha para comprar imóveis em Miami

Miami, 3 abr (EFE).- Os documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca revelados neste domingo mostram que políticos e empresários brasileiros investigados por crimes no país teriam usado a companhia para comprar imóveis de luxo em Miami, nos Estados Unidos.

Segundo informações divulgadas por vários veículos da imprensa mundial reunidos por meio do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, entre eles o jornal “Miami Herald”, os vazamentos envolvem 140 políticos e funcionários públicos de vários países, entre eles 12 chefes de Estado atuais e antigos.

O “Miami Herald” cita o caso de Paulo Octávio Alves Pereira, ex-governador do Distrito Federal (DF), que chegou a ser preso em 2014 pela Polícia Civil do DF durante a Operação Átrio. Segundo o jornal, três anos antes, em 2011, ele teria pago US$ 2,95 milhões em dinheiro por um apartamento de três quartos em um condomínio de luxo em Bal Harbour, através uma offshore registrada nas Ilhas Virgens.

O advogado de Paulo Octávio em Miami, Julio Barbosa, disse ao “Miami Herald” que seu cliente não violou nenhuma lei e que as transações “cumpriram com toda a legislação aplicável”.

A lista de personalidades e políticos relacionada à Mossack Fonseca que comprou propriedades em Miami inclui Luciano Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão – um dos investigados na Operação Lava Jato -, e que comprou uma casa em Miami Beach por US$ 636 mil.

Além deles, aparece entre os clientes da companhia panamenha Marcelo Carvalho Cordeiro, ex-presidente do Fundo de Previdência do Rio de Janeiro e envolvido na concessão irregular de contratos milionários, que adquiriu no ano passado uma residência em Key Biscayne por US$ 2,7 milhões.

O “Miami Herald” afirma que não existem indícios de uso de dinheiro sujo nessas compras e que tanto Lobão como Cordeiro “não tentaram esconder” as aquisições, já que usaram companhias com sede na Flórida registradas em seus próprios nomes.

No entanto, as suspeitas sobre o mercado imobiliário de luxo em Miami fizeram com que o Departamento do Tesouro, através da Rede Policial de Crimes Financeiros dos EUA, iniciasse um plano de vigilância sobre as transações de mais de US$ 1 milhão e que foram efetuadas em dinheiro ou por meio de empresas de fachada.

O órgão considera que elas são as mais suscetíveis à manipulação devido a falta de transparência das operações. Além disso, no condado de Miami-Dade, as compras de imóveis em dinheiro representaram 53% do total em 2015.

De acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que publicou hoje detalhes da extensa investigação no seu site, o vazamento inclui 11,5 milhões de quase quatro décadas de funcionamento da Mossack Fonseca, com informações sobre cerca de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países.

Os documentos da companhia panamenha revelam a criação de milhares de empresas offshore em paraísos fiscais para que políticos, celebridades e personalidades administrassem seus patrimônios.

A Mossack Fonseca negou neste domingo à Agência Efe qualquer vínculo com os crimes supostamente cometidos por suas centenas de clientes.

Fonte: Bol.com.br

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