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Cantor americano Billy Paul morre aos 81 anos

Nova York, 25 Abr 2016 (AFP) – O cantor americano Billy Paul, astro da música soul nascido na Filadélfia e famoso em todo o mundo pela canção “Me and Mrs. Jones”, de 1972, faleceu no domingo aos 81 anos.

Conhecido por sua bela voz, Paul ganhou um Grammy e contribuiu para o desenvolvimento do ‘rythm and blues’ moderno.

“Lamentamos ter que anunciar com pesar que Billy faleceu hoje em sua casa após uma grave doença”, afirmou um comunicado publicado no website do artista no domingo.

O produtor musical americano Questlove, mais conhecido pela sua atuação como percussionista no grupo de de hip-hop The Roots, afirma em um documentário sobre Paul que o cantor deveria ser considerado o precursor de ícones do soul como Stevie Wonder e Marvin Gaye.

Após a morte de Paul, Questlove, também nascido na Filadélfia, lamentou a perda do cantor com a “voz de veludo mais maravilhosa que já existiu”.

“Todos os adultos que me influenciaram durante minha juventude estão partindo, um por um”, escreveu Questlove em sua conta do Instagram.

Paul morreu dias após o falecimento repentino da lenda do pop Prince e meses depois da morte do ícone do rock David Bowie.

Em um comunicado, a Recording Academy, que administra a premiação do Grammy, saudou Paul pela “sensibilidade sofisticada do jazz” que ele pôs em “Me and Mrs. Jones”.

“Sua carreira foi marcada por canções de empoderamento e pela sua voz incrível”, afirma a nota.

Virada repentina e controversa

Nascido como Paul Williams na Filadélfia, desde criança teve envolvimento com a música soul desta cidade do leste dos Estados Unidos. Na juventude, participou de sessões de gravação com lendas da música como Charlie Parker e Nina Simone.

Em 1972 chegou ao posto número 1 das paradas de sucesso com “Me and Mrs. Jones”, uma canção sobre uma aventura extraconjugal que depois foi regravada por vários artistas, como a dupla Hall and Oates ou o crooner Michael Buble.

Mas em uma decisão comercialmente desastrosa, decidiu lançar na sequência uma canção totalmente distinta chamada “Am I Black Enough For You?” (“Sou negro o suficiente para você?”), com um tom mais funk e referências ao movimento radical Black Power.

Paul disse que se opôs ao momento escolhido para lançar a canção provocativa. O executivo da música Clive Davis disse que ele também foi contra a jogada por motivos comerciais, embora tenha elogiado o mérito artístico de “Am I Black Enough For You?”.

“Durante muito tempo isso me deixou com raiva”, disse Paul em entrevista à revista Blues and Soul em 2009. “Esta canção estava à frente de seu tempo”, afirmou o artista então.

Mas em uma entrevista ao site Little White Lies, Paul disse que, décadas depois, eram principalmente os brancos que pediam a música.

“Isso me deixa muito confortável, e agora a música é muito popular. Recuperou o tempo perdido, agora temos um presidente negro”, disse, em referência a Barack Obama.

O viés político era condizente com a personalidade de Paul. Em 1977, ele regravou a canção “Let ‘Em In” de Paul McCartney’s e a reformulou como um hino do movimento pelos direitos civis no Estados Unidos com referências a mártires como Martin Luther King Jr. e Malcolm X.

Fonte: Bol.com.br

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