Carteira de Trabalho digital traz desagrado

A carteira de trabalho agora é digital. A mudança evita fraudes, torna o acesso mais prático e assegura os dados do empregado, o que não ocorria em caso de perda do documento. Apesar do avanço tecnológico, o trabalhador está penando para tirar a carteira nas Agências do Trabalho. O documento emitido manualmente, que foi extinto, era recebido na hora. Agora, o novo modelo leva cerca de 20 dias para ser entregue, o que não está agradando em nada aos trabalhadores. 

Sílvia Azevedo, 48, autônoma e o filho tentaram fazer a Carteira de Trabalho três vezes, só obtendo sucesso na última. Eles chegaram na Agência do Trabalho e Emprego da Rua da Aurora, no Bairro do Recife, na última semana, às 4h15 da manhã, mas já havia fila. Apesar disso, o que deixou Sílvia decepcionada foi a informação de que não sairia de lá com o documento. “Vai demorar uns 20 dias, isso é muito tempo”, reclamou. A autônoma achou a digitalização positiva, mas o tempo de espera e tentativas frustradas de obter o documento não a deixaram satisfeita.

Quem também não gostou nada foi Juan Jullyan da Silva, 18, estudante. Morador do município de Goiana, ele saiu de casa com o pai a 1h, chegando na agência por volta das 2h40. E nem foi o primeiro da fila. Ele conta que precisou enfrentar essa maratona porque na sua cidade o serviço não estava disponível. “Em outros cidades, a situação é a mesma. Os atendentes orientam a nos dirigirmos à capital”, explica. 

O estudante também reclamou da lentidão do sistema que gera as carteiras. “Apesar de ser uma coisa muito boa, por ser mais tecnológica, a lógica seria que ficasse pronta mais rápido’’, diz Silva. Ele abriu mão de uma entrevista de emprego para fazer o documento. O pai dele, Edmilson Galdino da Silva, 47, auxiliar de enfermagem, foi tirar a segunda via do documento, mas perdeu tempo, já que não foi informado da necessidade de registrar um Boletim de Ocorrência na Polícia. 

Segundo a Secretaria de Trabalho e Qualificação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação, o prazo de confecção maior é necessário pelo fato de todas as informações – inclusive a foto e assinatura – serem digitalizadas. Após emitido o protocolo, quem fica responsável por gerar as carteiras é a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.

Paulo Muniz, secretário executivo da Secretaria, alegou que a questão da lentidão do sistema é nacional e não um problema específico da Agência do Trabalho. Segundo ele, o que às vezes complica o processo é a falta de atenção dos trabalhadores ao separarem os documentos.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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