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Casos de infecção após cesáreas no Hospital das Clínicas

Em menos de um mês, cinco mulheres foram diagnosticadas com infecção após realizar cirurgia cesárea no Hospital das Clínicas (HC), localizado no campus da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife. Dentre elas, duas tiveram o útero retirado em função da complicação do quadro. O número, apesar de parecer baixo, representa um aumento significativo na média de infecções de ciclo cirúrgico da unidade. Os motivos estão sendo investigados pela direção. Funcionários e estudantes denunciaram as más condições de higiene da área improvisada para realização dos partos.

O Centro Obstétrico (COB) funciona no quarto piso da unidade, mas devido a problemas no sistema de refrigeração foi transferido durante 28 dias para o térreo do hospital, em uma parte onde são realizadas normalmente pequenas cirurgias e trocas de curativos. Além do espaço pequeno, o local é menos protegido contra a entrada de agentes externos. Entre os dias 11 de março e 8 deste mês, foram realizadas 125 cesáreas na área, das quais 4% apresentaram complicações infecciosas. Em alguns casos, segundo denúncias apuradas pelo Diario, os casos evoluíram com feridas de grande extensão na parte do abdomen e tórax.
Neste mesmo período, também foram relatadas a presença de moscas nas salas e a retirada de um escorpião. “Larvas nasceram nas feridas de uma das puérperas. Em outro caso, foi retirado cerca de 1,5 litro de pus da cavidade da mulher”, disse um estudante que não quis se identificar. A babá Vânia Silva, 37 anos, está acompanhando a irmã no HC, cujo filho nasceu na semana passada. “Realmente tinham muitas moscas e muriçocas dentro de onde estávamos.

Também ouvi falar de casos de infecção e ficamos morrendo de medo.”
Mesmo antes da transferência provisória, funcionários relataram que entravam facilmente no Centro Obstétrico sem serem questionados quanto aos equipamentos de higiene, como toucas. Na última segunda-feira à tarde, o COB voltou ao lugar de origem.

Superlotação
Procurado para esclarecer a situação, o chefe da unidade de atenção à saúde da mulher do HC, o obstetra Elias Melo, confirmou o aumento dos casos de infecção relacionados aos procedimentos de cesárea. “A literatura médica trata que, em procedimentos assim, o nível de infecção de ciclo cirúrgico não pode passar de 10%. Então, estamos dentro da média nacional. Mas, do ponto de vista estatístico, é relevante. Em condições normais, trabalhamos com a média de 1% de casos evoluindo para quadros de infecção. Então, teríamos um ou dois casos com a média de atendimento que tivemos neste período”, acrescentou.

De acordo com o médico, a mudança de local provocada pela reforma do centro obstétrico foi determinante para o quadro. “Atendemos num espaço 50% menor que o que estávamos acostumados. Diante disso, solicitamos à central de regulação que diminuísse pela metade o número de transferências para cá. Infelizmente, não fomos atendidos e tivemos de conviver com um quadro de superlotação ainda mais grave que o enfrentado diariamente.”

O médico explicou ainda que, diante deste crescimento, o centro obstétrico passou a adotar algumas medidas emergenciais. “Detectamos problemas emergenciais, quase todos ligados aos cuidados com o acesso ao local. Atualmente, as cinco pacientes recebem tratamento no Hospital das Clínicas. Infelizmente, duas delas perderam o útero, mas até a última visita que fiz, estavam todas estáveis.”

Elias Melo confirmou ainda que a equipe enfrentou problemas com insetos durante a permanência na estrutura improvisada. “No local original, o paciente passa pela enfermaria, triagem e outros setores antes de chegar ao bloco, no 4º andar. Neste período, estávamos atendendo no térreo, a 50 metros de uma das entradas do hospital.”

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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