Cidade cenográfica de "Liberdade, Liberdade" reconstrói Vila Rica no Rio

Algumas sequências externas nos arredores da cidade de Diamantina ajudaram a dar a autenticidade mineira a “Liberdade, Liberdade”, mas é dentro dos Estúdios Globo, na Zona Oeste do Rio, que fica a Vila Rica (atual Ouro Preto) retratada na ficção de Mario Teixeira. Num espaço de 4 mil metros quadrados, cerca de 30 prédios, incluindo uma igreja, uma taverna e um mercado, reproduzem um pouco da cara do Brasil colônia que serve de pano de fundo para a história de Joaquina (Andreia Horta).  

“A gente inventou a Vila Rica de antigamente. Se você for lá hoje, é uma cidade pintadinha de branco, colorida. Pensamos: ‘Será que era assim mesmo?’. Tendi a pensar que talvez não houvesse tantas cores. Então a gente trouxe mais predominância de tons ocre, branco sujo, madeira escura”, explica o diretor geral da trama Vinícius Coimbra.

Textos sobre a vida privada no Brasil na época serviram de referência para a produção de arte, comandada por Marco Cortez, mobiliar as construções. Simplicidade é a palavra de ordem. “Definitivamente era uma vida privada de luxos, pouquíssimos móveis. As pessoas comiam com a mão. Segundo o inventário de Tomaz Antonio Gonzaga (ativista da Inconfidência Mineira), quem era rico tinha seis talheres. Tentamos retratar essa vida espartana”, afirma o diretor.

Entrar na cidade cenográfica significa sujar o sapato de barro, ver-se cercado de mato e não estranhar a circulação de cavalos e o rastro de excrementos que eles deixam no local. Muito pouco perto do que era a cidade na época, já que não havia esgoto e as pessoas jogavam os dejetos pela janela.

“Era uma cidade praticamente de aventureiros. Quando acabava a exploração do ouro acabava a cidade. Era uma espécie de Serra Pelada na época. O século 18 é pouquíssimo documentado. Fizemos pesquisa por meio de gravuras, mas a gente teve que praticamente imaginar como seria esse lugar”, conta o diretor de arte Mario Monteiro, que comandou a construção da cidade com os cenógrafos Paulo Renato, Márcia Inoue e Kaka Monteiro.

Além da busca em antiquários mineiros e em acervos de colecionadores de antiguidades, a equipe de produção precisou adaptar algumas peças, que passaram por um processo de envelhecimento. E a marcenaria teve um processo diferente nesta novela: passou longe da perfeição, a pedido do diretor.

“Minha briga com eles é que as coisas sejam irregulares. A máquina moderna faz um arco perfeito, mas não pode ser perfeito, porque na época não era. Você percebe uma irregularidade na arquitetura”, comenta Vinícius.

Fonte: Bol.com.br

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