Cidade no Paraná teme por protesto do MST marcado para sábado

Um dia após o confronto que resultou na morte de dois sem-terra e seis feridos, a tensão em Quedas do Iguaçu, na região Centro-Oeste do Paraná, continua elevada, mesmo com o reforço do efetivo policial. Nesta sexta-feira, representantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Secretaria Especial para Assuntos Fundiários do Paraná e 5º Comando Regional da Polícia Militar se reuniram na Câmara de Vereadores da cidade na tentativa de adiar a manifestação programada para este sábado pelos integrantes do MST.

A intenção, segundo a Polícia Militar, não é de impedir qualquer tipo de liberdade de expressão, mas sim, evitar um novo confronto. As autoridades avaliam que o protesto é um risco à segurança. Na reunião, que durou cerca de três horas e meia, dois advogados do MST levaram o posicionamento das autoridades aos acampados do Dom Tomás Balduíno.

Até às 18h, no entanto, os sem-terra ainda não haviam se posicionado sobre o possível cancelamento do protesto. Segundo a assessoria da PM, o consenso da maioria dos participantes da reunião, com exceção dos integrantes do movimento, é de que a manifestação precisa ser adiada em razão do conflito agrário instaurado em Quedas.

Para representantes da comissão de Direitos Humanos, o protesto deve ser visto como um ato simbólico à luta pela reforma agrária e uma homenagem aos dois homens baleados e mortos durante o confronto com militares.

“Tentamos negociar pelo clamor social de todos para que não fosse feita a manifestação, mas ainda não há certeza de que será cancelada”, informou a capitã Marcia Santos.

Representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o prefeito de Quedas do Iguaçu, Edson Prado, vereadores e o subcomando da Polícia Militar do município também participaram da reunião.

Devido ao clima de tensão, as aulas nas redes municipal e estadual de ensino foram suspensas nesta quinta e sexta-feira em Quedas do Iguaçu. A previsão é de que o retorno ocorra na segunda-feira. A segurança no município e na região foi reforçada.

“Vingança”
Uma declaração feita no calor dos acontecimentos em Quedas do Iguaçu mantém polícia e moradores vigilantes. Antonio Miranda, que se diz porta-voz do MST na região, afirmou que as famílias têm direito de vingar a morte dos dois sem-terra.

Miranda diz que a vingança será por meio da ocupação de latifúndios e destruindo completamente a Araupel, empresa que, segundo ele, tantos danos provoca. A área invadida pelo MST está em questionamento na Justiça. Depois de uma vitória em primeira instância na Justiça Federal de Cascavel, o Incra, que reivindica áreas à União, perdeu três ações seguidas no TRF4 (Tribunal Regional Federal), da 4ª Região de Porto Alegre.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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