Coluna: Há 5 anos – A estreia de Amor e Revolução, o Brasil de hoje e a postura do SBT

Julioo12

Há cinco anos, o SBT surpreendia o país, ao anunciar em suas chamadas que somente a emissora tinha a coragem de passar a limpo a história recente do Brasil. Estreava no dia 05 de abril, a novela Amor e Revolução, escrita por Tiago Santiago. A trama contou com 204 capítulos e teve como enredo principal a ditadura militar no Brasil.

Apesar da grande produção (pelos padrões do SBT), a novela causou mais polêmicas do que audiência, devido seu tema central, mas também por ter sido a pioneira na exibição explícita de um beijo entre duas mulheres. A cena foi entre Gisele Tigre (Marina) e Luciana Vendramini (Marcela). Logo após a estreia, um grupo de militares pediu o fim da exibição da novela ao Ministério Público Federal através de um abaixo-assinado, por não concordarem com o que estava sendo exibido. A novela teve média geral de 5 pontos e estreou com 7, na Grande SP.

O que também chamou atenção na novela, além das cenas fortes de tortura, foram as coincidências de alguns personagens com a vida real. A presidente Dilma seria uma das guerrilheiras da trama, algo que foi negado pelo autor. Aliás, para contrapor a história, ao fim de cada capítulo, um depoimento real era exibido. Por ironia do destino, o primeiro depoimento foi justamente de José Dirceu que se apresenta como vítima da ditadura e que meses depois foi condenado no escândalo do Mensalão e hoje responde pelo caso do Petrolão. Na época da novela, o governo instaurou a “Comissão da Verdade” para apurar crimes ocorridos na ditadura.

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Contraponto

O SBT se contradiz ao mostrar em uma telenovela a ditadura militar e por outro lado se calar em seu jornalismo, durante muitos anos, principalmente num momento onde a mídia é acusada de “golpismo”, justamente por muitos que defenderam a liberdade de expressão no golpe militar. Que Silvio Santos sofre momentos de bipolaridade, não é nenhuma novidade. Silvio implantou com Bóris Casoy o TJ Brasil, o primeiro telejornal com âncora que tinha a liberdade de comentar as notícias. Por diversas vezes, Silvio disse que o jornalismo do SBT não é para atacar ninguém e que o jornalista deve se ater a notícia e evitar opiniões. Mesmo assim, Rachel Sheherazade foi contratada pelo SBT, após o próprio Silvio Santos assistir na internet um vídeo dela criticando o Carnaval. Chegou à emissora com status de nova âncora do SBT Brasil. Seus comentários sempre críticos devolviam ao jornalismo da emissora, a liberdade de manifestação de seus jornalistas.

Outrora, devendo favores ao governo petista, o homem do Baú atendeu aos pedidos do governo, após ameaças de corte de publicidade e de ter sido de alguma forma ajudado no escândalo do Banco Panamericano. Silvio não demitiu Rachel, apenas a proibiu de fazer comentários. Ao mesmo tempo, o extinto Notícias da Manhã, então apresentado por César Filho, tinha a liberdade de comentar e criticar, sempre que necessário uma informação. Já o principal telejornal da emissora, perdeu seu grande diferencial e hoje é visto apenas como um informativo padrão.

Hoje, quase um mês após o histórico 13 de março, a maior manifestação pública da história do país, a emissora que teve coragem de passar a ditadura militar a limpo, se cala diante de um dos momentos mais turbulentos da nossa história. Não que o jornalismo atual do SBT não esteja cobrindo os acontecimentos envolvendo os escândalos de corrupção e uma possível cassação do mandato da presidente Dilma, mas faz isso, sem emitir opiniões e em raras exceções interrompe sua programação para noticiar o que as ruas aclamam. O novato Primeiro Impacto, exibido das 06 as 08h30, tenta rascunhar a informalidade do Notícias da Manhã. As apresentadoras até chegam a comentar algumas notícias. O que não dá pra compreender é porque numa mesma emissora há “dois pesos e duas medidas”. Será preciso uma nova novela, daqui alguns anos, para passar a limpo a história atual do Brasil?

@jcfantin


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Fonte: Bastidores da TV

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